Ontem eu redescobri uma coisa que já achava que tinha perdido para sempre. E lágrimas me encheram os olhos.
Nunca imaginei que Dostoiévski poderia me ajudar desta forma novamente.
Ainda há, quem sabe, esperança contra a banalidade da vida. Pelo menos alguma...
domingo, fevereiro 17, 2008
sexta-feira, fevereiro 15, 2008
Dizem, e as palavras passeiam rápido através da superfície das línguas ferinas que se alimentam do chorume das tristezas alheias, que as crônicas de uma triste peregrinação nunca estão completas até que a primeira gota de sangue toque o solo. Antes disto, tudo é um prelúdio, uma elaborada dança de corpos e mentes que, como um antigo ritual sagrado demais para que sobre ele se fale, encena-se num sombrio jogo de adivinhações. As facas quentes das palavras e gestos colocam suas lâminas em brasa na fogueira dos desejos. Os olhares, os toques, as lembranças. É tudo alimento, tudo é água no deserto da solidão.
Sentado num sofá, o corpo poeirento de milênios de espera, a alma amortecida de tanto pensar, o espírito calejado de tanto doer. A ânsia secreta por um projeto de vida, por um sonho de abrir, com a envergadura de quem não tem mais coragem de temer a vida inteira, as longas asas em direção ao mistério.
E se jogar. Sim!
Num último ato de desespero e esperança; em direção ao sol, em direção ao solo, em direção ao sonho. E sentir as batidas tribais de um coração estúpido e o vento lambendo as lágrimas, descolando-as dos olhos, lavando o pó dos anos, enquanto se aguarda o resultado daquelas asas estendidas. Em um golpe de sorte tudo se decide: ou se voa rumo ao longe, ou se fica rumo ao chão.
O impacto teria a dor surda de um fim sem homenagens, sem elegias. Nem ao menos uma voz rouca para cantar as vergonhas de uma alma que se despede sem vitórias.
O vôo teria o medo do novo. E os caminhos infinitos que se abrem numa jornada, cada passo é uma porta aberta no fio da navalha.
Viver é feito de desafiar a si mesmo.
Sentado num sofá, o corpo poeirento de milênios de espera, a alma amortecida de tanto pensar, o espírito calejado de tanto doer. A ânsia secreta por um projeto de vida, por um sonho de abrir, com a envergadura de quem não tem mais coragem de temer a vida inteira, as longas asas em direção ao mistério.
E se jogar. Sim!
Num último ato de desespero e esperança; em direção ao sol, em direção ao solo, em direção ao sonho. E sentir as batidas tribais de um coração estúpido e o vento lambendo as lágrimas, descolando-as dos olhos, lavando o pó dos anos, enquanto se aguarda o resultado daquelas asas estendidas. Em um golpe de sorte tudo se decide: ou se voa rumo ao longe, ou se fica rumo ao chão.
O impacto teria a dor surda de um fim sem homenagens, sem elegias. Nem ao menos uma voz rouca para cantar as vergonhas de uma alma que se despede sem vitórias.
O vôo teria o medo do novo. E os caminhos infinitos que se abrem numa jornada, cada passo é uma porta aberta no fio da navalha.
Viver é feito de desafiar a si mesmo.
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
Foi aí. Abrupto, aquele ódio irracional estancou numa engolida em seco, com gosto de cigarros e uma bebedeira de cerveja, que já começava a se transformar em ressaca na boca azeda e na mente empapuçada. Olhos estáticos, corpo imóvel. A mente se calou por dentro, ficou sentindo os reflexos lentos do corpo. O peito chiava arfante numa respiração difícil. O coração tamborilava sacudindo todas as veias, sentia-o retumbando no ouvido e latejando nas mãos. Foi invadido pela consciência da manhã que despertava, com seu frio manso e um galo que esganiçava em uma qualquer vizinhança. Sentiu então, como se fossem de outro, as gotas de sangue que lhe escorriam pelo braço. E a pontada de dor na mão cortada veio como um pungente aviso de que estava vivo, e que parecia que não podia fazer nada contra isto. Não podia fazer mais nada contra o dia que vinha em ondas fortes, destruindo o que encontrava por sua frente. E seu cérebro, alagado por aquele regurgitar salgado e incessante, agitou-se furioso mais uma vez, tentando entender alguma coisa. Desesperadamente qualquer coisa.
No chão, as gotas vermelhas pingavam formando pequeninos círculos no piso branco. Aqui e ali jaziam os cacos mortos do copo de requeijão, únicas testemunhas e cadáveres esmiuçados do cúmplice que transportara em longos goles a cerveja para dentro da boca, do esôfago, do estômago ulcerado, da mente confusa, cansada, sedenta.
Não adiantara.
Sentou-se maquinalmente, olhos vidrados, na cadeira ali ao lado. As primeiras lágrimas desta nova leva saíram ardidas dos olhos, acompanhando o flexionar pesado das pernas. A mão caiu sobre os joelhos espalhando manchas rubras pelo tecido cor de creme. Começaram aos poucos a vir as imagens da briga em soluços arrependidos de memória. Gritou, lembrava, mas não sabia dizer o quê. Provavelmente balbucios desconexos que naquele momento pareciam botar pra fora todo o medo que guardava a cada segundo e minutos dos dias pretensamente felizes. Seu ódio era uma colcha de retalhos daquelas pequenas provocações que se acumulavam, misturado com os sorrisinhos que lhe foram vendidos a tão alto preço. Sentiu a vida como um grilhão e desmaiou no sofá. Precisava de sonhos.
No chão, as gotas vermelhas pingavam formando pequeninos círculos no piso branco. Aqui e ali jaziam os cacos mortos do copo de requeijão, únicas testemunhas e cadáveres esmiuçados do cúmplice que transportara em longos goles a cerveja para dentro da boca, do esôfago, do estômago ulcerado, da mente confusa, cansada, sedenta.
Não adiantara.
Sentou-se maquinalmente, olhos vidrados, na cadeira ali ao lado. As primeiras lágrimas desta nova leva saíram ardidas dos olhos, acompanhando o flexionar pesado das pernas. A mão caiu sobre os joelhos espalhando manchas rubras pelo tecido cor de creme. Começaram aos poucos a vir as imagens da briga em soluços arrependidos de memória. Gritou, lembrava, mas não sabia dizer o quê. Provavelmente balbucios desconexos que naquele momento pareciam botar pra fora todo o medo que guardava a cada segundo e minutos dos dias pretensamente felizes. Seu ódio era uma colcha de retalhos daquelas pequenas provocações que se acumulavam, misturado com os sorrisinhos que lhe foram vendidos a tão alto preço. Sentiu a vida como um grilhão e desmaiou no sofá. Precisava de sonhos.
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
Outro dia voltava para casa a pé às seis da manhã e tinha comigo mesmo uma das mais furiosas discussões que já tive.
Um lado me acusava de ingênuo, volúvel, falso, leviano, inconsequente, anarquista imbecil pequeno burguês.
O outro me acusava de conservador de direita retrógrado, conformista, apático, desiludido, machista.
Uma hora, quando passando em frente à Igreja dos Mormons, vi uma cara assustada de um hdei por mim mesmoomem que cruzava comigo. Eu era um sujeito com cara de maluco, roupas amassadas, olheira de maquiagem, cara de bêbado, rindo e chorando ao mesmo tempo e falando alto comigo mesmo o seguinte: "Vocâ tá louco? Você tá louco?"
Um lado me acusava de ingênuo, volúvel, falso, leviano, inconsequente, anarquista imbecil pequeno burguês.
O outro me acusava de conservador de direita retrógrado, conformista, apático, desiludido, machista.
Uma hora, quando passando em frente à Igreja dos Mormons, vi uma cara assustada de um hdei por mim mesmoomem que cruzava comigo. Eu era um sujeito com cara de maluco, roupas amassadas, olheira de maquiagem, cara de bêbado, rindo e chorando ao mesmo tempo e falando alto comigo mesmo o seguinte: "Vocâ tá louco? Você tá louco?"
sábado, dezembro 15, 2007
Parcialmente escrito, praticamente baseado em um sonho desta tarde...
Era um dia de agitações na protocidadela. Nos últimos meses o comichão de suas fronteiras havia devorado léguas de mata virgem e pasto inerte. No bairro velho fervilhavam conspirações, sibilavam ameaças entre as línguas ásperas dos velhos druidas enrugados. Os aprendizes ensimesmavam-se em treinações e ambições que recriavam suas mentes em plena expansão e derreformação. Os bruxistas não deixavam por menos, recalcando pirotecnias e transcriando as velhas cavernas enfumaçadas e escuro-piscantes. O cheio se espalhava longe nas ruelas se impregnadas de molecarias maltrapilhas emprumando-se em desejosos sonhos de integrar ambas as corjas. Velhotas carcomidas arrastavam carroças rangentes repletas de bagulheiras misteriosas, mesclando-se entre o populacho anunciavam supostos ingredientes poderosos vindos das terras distantes. Escamas petrificadas de Dragonilhos cornudos das planícies desérticas, sabugos ressecados das florestas faéricas, pisadelas de enxofre dos homúnculos ferozes do sul e outras tantas tranqueiras eram apregoadas em gritos estridentes e roucos. Os velhos magos ressabiados aproximavam-se raramente e apossavam-se de algum artigo soterrado ao fundo das tranqueiras de alguma vendedora, não sem antes remexer seus melindrosos bigodes em caretas e insultos, pechinchando as mercadorias com palavrarias tão antipáticas quanto inabilidosas. Os jovens aprendizes esbofeteavam-se em algumas filas, desesperados por colocar suas mãos em alguma bugiganga com cheiro de exoticidade. Ávidos, levantavam seus narizes sobre as cabeças uns dos outros e, com os olhos brilhosos, tentavam farejar através do ar semiprovinciano e rançoso de suor e pós mágicos de toda sorte, algo que pudesse lhes trazer a sorte grande.
Para além das fronteiras difusas dos conluios mágicos o burburinho persistia em outras formas. Viajantes de todas as partes se esbarravam nas estreitas ruelas, entre preocupados e curiosos, reviravam o lugar com os olhos e com o que mais pudessem. Procuravam por tudo. As tramarizes mulheres do bairro de baixo seducilhavam aqui e ali, espalhando por entre os recém-chegados os rabelhos flutuantes de suas belas roupas dançantes, deixando rastros lilases, azulados, rosáceos, remisturando-se. Os cheiros de almíscar, jade, canela e toda a sorte de frutilhas afrodisíacas ouriçava os pêlos dos passantes, encobrindo por completo o cheiro acre nauseabundo de suor, sangue pisado e estrume dos animais fedorrentos que eram puxados por seus donos ou arrastavam carruagens indiferentes ao buchicho das ruas. Suas risadas melodiosas e olhares ferinos, dissimulados, perfurantes, rebolavam demoradamente no ar. Rasgavam conversas broncas ao meio, cortavam pensamentos compenetrados. Passavam em passos graciosos, pretensamente indiferentes e desinteressados daquela vulgaridade que gorgolejava em altos brados por toda a cidade. Em segundos desapareciam, mas ainda assim estavam sempre por toda parte.
Velhos conhecidos se reencontravam em estrondosas gargalhadas e abraços sacolejantes. Estranhas reverências se encenavam aqui e ali, e nas tavernas os copos se chocavam ruidosamente em brindes pronunciados nas mais diversas línguas. Os bandos de andarilhos, saltimbancos e ciganos mais uma vez retornavam à cidade em uma inexplicável sincronia. Perambulando por ali ofereciam adivinhações e serviços, bajulavam ricos comerciantes e empoladas senhoras, tocavam intrumentos e entoavam suas cantigas recolhendo moedas com chapéus coloridos e bufantes. Arremessavam objetos ao ar em malabarismos improváveis e cuspiam labaredas coloridas. Furtavam objetos entre a multidão apressada e arrecadavam riquezas com sua ardilosa lábia enganatriz. Sobreviviam alegremente, e a partida os recolheria dali antes que suas confusas vítimas pudessem esboçar pretensões de entender o que havia se passado.
Na praça do mercado o estrondoso amontoar de gentes alcançava seu vertiginoso ápice. Lá, tinha-se a impressão de que qualquer coisa poderia acontecer a qualquer momento.

De: http://postsecret.blogspot.com/
Era um dia de agitações na protocidadela. Nos últimos meses o comichão de suas fronteiras havia devorado léguas de mata virgem e pasto inerte. No bairro velho fervilhavam conspirações, sibilavam ameaças entre as línguas ásperas dos velhos druidas enrugados. Os aprendizes ensimesmavam-se em treinações e ambições que recriavam suas mentes em plena expansão e derreformação. Os bruxistas não deixavam por menos, recalcando pirotecnias e transcriando as velhas cavernas enfumaçadas e escuro-piscantes. O cheio se espalhava longe nas ruelas se impregnadas de molecarias maltrapilhas emprumando-se em desejosos sonhos de integrar ambas as corjas. Velhotas carcomidas arrastavam carroças rangentes repletas de bagulheiras misteriosas, mesclando-se entre o populacho anunciavam supostos ingredientes poderosos vindos das terras distantes. Escamas petrificadas de Dragonilhos cornudos das planícies desérticas, sabugos ressecados das florestas faéricas, pisadelas de enxofre dos homúnculos ferozes do sul e outras tantas tranqueiras eram apregoadas em gritos estridentes e roucos. Os velhos magos ressabiados aproximavam-se raramente e apossavam-se de algum artigo soterrado ao fundo das tranqueiras de alguma vendedora, não sem antes remexer seus melindrosos bigodes em caretas e insultos, pechinchando as mercadorias com palavrarias tão antipáticas quanto inabilidosas. Os jovens aprendizes esbofeteavam-se em algumas filas, desesperados por colocar suas mãos em alguma bugiganga com cheiro de exoticidade. Ávidos, levantavam seus narizes sobre as cabeças uns dos outros e, com os olhos brilhosos, tentavam farejar através do ar semiprovinciano e rançoso de suor e pós mágicos de toda sorte, algo que pudesse lhes trazer a sorte grande.
Para além das fronteiras difusas dos conluios mágicos o burburinho persistia em outras formas. Viajantes de todas as partes se esbarravam nas estreitas ruelas, entre preocupados e curiosos, reviravam o lugar com os olhos e com o que mais pudessem. Procuravam por tudo. As tramarizes mulheres do bairro de baixo seducilhavam aqui e ali, espalhando por entre os recém-chegados os rabelhos flutuantes de suas belas roupas dançantes, deixando rastros lilases, azulados, rosáceos, remisturando-se. Os cheiros de almíscar, jade, canela e toda a sorte de frutilhas afrodisíacas ouriçava os pêlos dos passantes, encobrindo por completo o cheiro acre nauseabundo de suor, sangue pisado e estrume dos animais fedorrentos que eram puxados por seus donos ou arrastavam carruagens indiferentes ao buchicho das ruas. Suas risadas melodiosas e olhares ferinos, dissimulados, perfurantes, rebolavam demoradamente no ar. Rasgavam conversas broncas ao meio, cortavam pensamentos compenetrados. Passavam em passos graciosos, pretensamente indiferentes e desinteressados daquela vulgaridade que gorgolejava em altos brados por toda a cidade. Em segundos desapareciam, mas ainda assim estavam sempre por toda parte.
Velhos conhecidos se reencontravam em estrondosas gargalhadas e abraços sacolejantes. Estranhas reverências se encenavam aqui e ali, e nas tavernas os copos se chocavam ruidosamente em brindes pronunciados nas mais diversas línguas. Os bandos de andarilhos, saltimbancos e ciganos mais uma vez retornavam à cidade em uma inexplicável sincronia. Perambulando por ali ofereciam adivinhações e serviços, bajulavam ricos comerciantes e empoladas senhoras, tocavam intrumentos e entoavam suas cantigas recolhendo moedas com chapéus coloridos e bufantes. Arremessavam objetos ao ar em malabarismos improváveis e cuspiam labaredas coloridas. Furtavam objetos entre a multidão apressada e arrecadavam riquezas com sua ardilosa lábia enganatriz. Sobreviviam alegremente, e a partida os recolheria dali antes que suas confusas vítimas pudessem esboçar pretensões de entender o que havia se passado.
Na praça do mercado o estrondoso amontoar de gentes alcançava seu vertiginoso ápice. Lá, tinha-se a impressão de que qualquer coisa poderia acontecer a qualquer momento.

De: http://postsecret.blogspot.com/
quarta-feira, novembro 07, 2007
sábado, outubro 13, 2007
sexta-feira, outubro 12, 2007
domingo, setembro 30, 2007
Pigarro, tosse. Mais tosse. Olhos em volta cutucam, não conseguindo manter a barreira da indiferença. O pus sobe e desce na garganta, dolorido como se fossem cacos de vidro. A mão, velha e enrrugada, envolta na luva esfarrapada, se esforça para permanecer colada na barra de metal a cada solavanco. A cada contorção doente do seu corpo, cresce a barreira de nojo e pena dentro do vagão lotado. Os olhos semicerrados tentam se voltar para baixo, para fora. Para algum lugar longe daquilo tudo. As dores, no entanto, impedem-no de alimentar imagens muito complicadas na sua cabeça. As tardes bestas e tranquilas que ele tenta resgatar das décadas passadas se dissolvem com as chiadas contrações de seu pulmão, desesperado por um ar que parece nunca vir.
Quando abre os olhos novamente, percebe que estão a sentá-lo nos bancos cinzas. Murmuram-lhe alguma palavras vagas. Há um vácuo ao seu redor. Ele solta o corpo no banco e aguarda a morte.
Quando abre os olhos novamente, percebe que estão a sentá-lo nos bancos cinzas. Murmuram-lhe alguma palavras vagas. Há um vácuo ao seu redor. Ele solta o corpo no banco e aguarda a morte.
sexta-feira, setembro 28, 2007
quinta-feira, setembro 20, 2007
terça-feira, setembro 18, 2007
sexta-feira, setembro 14, 2007
Qualquer pessoa inteligente que vá a uma assembléia como a que eu fui ontem consegue compreender um pouco sobre a ascensão das burocracias "legitimadas" pelos grandes ascensos dos movimentos de massa.
Às vezes eu queria poder praticar uma certa violência física contra certa "companheirada".
Haja força de vontade pra não ir pra casa dormir...
Às vezes eu queria poder praticar uma certa violência física contra certa "companheirada".
Haja força de vontade pra não ir pra casa dormir...
terça-feira, agosto 28, 2007
terça-feira, agosto 21, 2007
Por fim, era isto.
Banalidade é deixar a vida montar em você.
E acho que eles não perceberam isso.
É quando você ouve uma voz te chamar. De seus olhos podem sair lágrimas, mas a sua garganta rouca está estupefata demais pra gritar de volta. Ela fica pasma...
Pra onde vai um rosto por baixo de tantas máscaras?
Banalidade é deixar a vida montar em você.
E acho que eles não perceberam isso.
É quando você ouve uma voz te chamar. De seus olhos podem sair lágrimas, mas a sua garganta rouca está estupefata demais pra gritar de volta. Ela fica pasma...
Pra onde vai um rosto por baixo de tantas máscaras?
terça-feira, julho 31, 2007
Sobre o post abaixo
Eu pouco sei sobre a AATW que, numa livre tradução significaria Anarquistas Contra o Muro. Eu sei que em 2005 eu fui num evento não muito interessante chamado Carnaval Revolução, organizado por um coletivo anarquista de BH. Neste evento, apesar de não muito legal, vi coisas legais. Uma oficina do CMI sobre filmagem de ações diretas, como ocupações e manifestações em geral. Evidentemente não aprendi a filmar, mas pude assistir uns vídeos legais sobre ocupações no centro de São Paulo e tive a oportunidade de conhecer o Brad Will, um ativista muito firmeza do CMI que morreu lutando com o povo de Oaxaca (mas nem sei porque eu conto tudo isso se todo mundo que entra aqui já deve saber destas coisas).
Enfim, no tal carnaval eu vi uma atividade da AATW. Eles mostravam uns vídeos de umas dez, quinze pessoas completamente despudoradas enfrentando o exército israelense com a cara e a coragem. Sim, o famigerado exército israelense. Eles apanham dia a dia, literalmente, para atrapalhar a construção de um dos maiores ícones fascistas de nosso tempo: o muro que quer isolar os palestinos. Eles tomam balas de borracha, gás, porradas e até balas de verdade ocasionalmente. Eles são atingidos por gás em uma quantidade que pode causar sérios problemas de saúde, como câncer. Eles juntam, em pleno coração de uma guerra civil sangrenta e interminável, israelenses e palestinos contra o massacre que ocorre lá.
É mais ou menos isso que sei sobre eles. Não é muita coisa. Eu dei uma olhada no site, parece que tem mais coisa. Vou ver melhor. Não sei qual é a prática deles e o que mais eles procuram fazer fora lutar contra o muro. Mas sei que o que eles fazem é tão bonito e corajoso que eu sinto arrepios só de pensar. E quase ninguém sabe deles, e eles estão precisando de ajuda.
Penso em montar um comitê de solidariedade, tentar estabelecer contato com eles e fazer atividades de divulgação e arrecadação de dinheiro para enviar para eles. Alguém mais topa?
Eu pouco sei sobre a AATW que, numa livre tradução significaria Anarquistas Contra o Muro. Eu sei que em 2005 eu fui num evento não muito interessante chamado Carnaval Revolução, organizado por um coletivo anarquista de BH. Neste evento, apesar de não muito legal, vi coisas legais. Uma oficina do CMI sobre filmagem de ações diretas, como ocupações e manifestações em geral. Evidentemente não aprendi a filmar, mas pude assistir uns vídeos legais sobre ocupações no centro de São Paulo e tive a oportunidade de conhecer o Brad Will, um ativista muito firmeza do CMI que morreu lutando com o povo de Oaxaca (mas nem sei porque eu conto tudo isso se todo mundo que entra aqui já deve saber destas coisas).
Enfim, no tal carnaval eu vi uma atividade da AATW. Eles mostravam uns vídeos de umas dez, quinze pessoas completamente despudoradas enfrentando o exército israelense com a cara e a coragem. Sim, o famigerado exército israelense. Eles apanham dia a dia, literalmente, para atrapalhar a construção de um dos maiores ícones fascistas de nosso tempo: o muro que quer isolar os palestinos. Eles tomam balas de borracha, gás, porradas e até balas de verdade ocasionalmente. Eles são atingidos por gás em uma quantidade que pode causar sérios problemas de saúde, como câncer. Eles juntam, em pleno coração de uma guerra civil sangrenta e interminável, israelenses e palestinos contra o massacre que ocorre lá.
É mais ou menos isso que sei sobre eles. Não é muita coisa. Eu dei uma olhada no site, parece que tem mais coisa. Vou ver melhor. Não sei qual é a prática deles e o que mais eles procuram fazer fora lutar contra o muro. Mas sei que o que eles fazem é tão bonito e corajoso que eu sinto arrepios só de pensar. E quase ninguém sabe deles, e eles estão precisando de ajuda.
Penso em montar um comitê de solidariedade, tentar estabelecer contato com eles e fazer atividades de divulgação e arrecadação de dinheiro para enviar para eles. Alguém mais topa?
Call for support by Anarchists Against The Wall
URGENT CALL FOR DONATIONS
----------------------------------------
*** PLEASE DISSEMINATE WIDELY ***
Dear friend,
The mounting legal cost of the joint Palestinian-Israeli struggle
against the occupation is forcing us to send this urgent appeal for
funds. We are asking for your support to continue the work of the
Israeli group Anarchists Against the Wall (AATW).
For the past four years, the group has supported the Palestinian
struggle against Israeli occupation and specifically against Israel`s
segregation wall. Week after week, AATW joins the Palestinian popular
resistance against the wall, in diverse areas of the West Bank,
including the villages of Bil`in west of Ramallah, al-Ma`asara, and
Ertas, south of Bethlehem, and Beit Ummar, north of Hebron.
Activists have often been arrested and indicted for their participation
in the struggle. Fortunately, the group is represented by a dedicated
lawyer, Adv. Gaby Lasky. Adv. Lasky has tirelessly worked to defend
activists arrested at demonstrations or direct actions in the West Bank
and in Israel. Though the legal defense she provides AATW is almost a
full-time job, she has agreed to be paid only a token fee. However, the
group has not managed to cover even this sum, and now owes approximately
$40,000 in legal expenses for over 60 indictments. In addition to this
enormous legal debt, AATW activists are forced to spend large sums on
transportation and phone bills.
Please make a donation that will enable us to continue this struggle.
Thank you for your solidarity.
Anarchists Against the Wall
For more information about AATW, our actions and how to make a donation,
visit our website: www.awalls.org or contact us at donate (at) awalls.org.
Email:: donate@awalls.org
URL:: http://awalls.org
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Ertas, south of Bethlehem, and Beit Ummar, north of Hebron.
Activists have often been arrested and indicted for their participation
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lawyer, Adv. Gaby Lasky. Adv. Lasky has tirelessly worked to defend
activists arrested at demonstrations or direct actions in the West Bank
and in Israel. Though the legal defense she provides AATW is almost a
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vírus do autismo solitário.
Engraçado receber milhares de scraps de pessoas que eu gosto e com quem não falo há muitíssimo tempo. Especialmente quando o tema é um vírus idiota de orkut.
Isto me fez sentir meio solitário.
Também fiquei meio surpreso quando li o tal scrap e vi o que um monte de gente achava que era eu. Não sei se sou meio malucão, mas creio que, ainda que não fosse óbvio que qualquer link que te mandem provavelmente é um vírus, eu certamente conheço razoavelmente o jeito de escrever dos meus amigos. Pelo menos dos mais próximos. E aquilo não parece comigo escrevendo nem um pouco.
Agora eu também não sei como aviso pra todo mundo que mandei um vírus porque nunca mandei estas malditas mensagens em massa. Se alguém tiver uma sugestão me avise.
Engraçado receber milhares de scraps de pessoas que eu gosto e com quem não falo há muitíssimo tempo. Especialmente quando o tema é um vírus idiota de orkut.
Isto me fez sentir meio solitário.
Também fiquei meio surpreso quando li o tal scrap e vi o que um monte de gente achava que era eu. Não sei se sou meio malucão, mas creio que, ainda que não fosse óbvio que qualquer link que te mandem provavelmente é um vírus, eu certamente conheço razoavelmente o jeito de escrever dos meus amigos. Pelo menos dos mais próximos. E aquilo não parece comigo escrevendo nem um pouco.
Agora eu também não sei como aviso pra todo mundo que mandei um vírus porque nunca mandei estas malditas mensagens em massa. Se alguém tiver uma sugestão me avise.
domingo, julho 29, 2007
domingo, julho 22, 2007
O ar gelado atravessou sua garganta rasgando. Ela engasgou-se consigo própria e, na surpresa de se descobrir falível, tropeçou em seus próprios pés, esborrachando-se no chão e rolando. Sem tentar impedir a si mesma, sentiu seu corpo arrastar-se pelo asfalto com o impulso que havia ganhado nas largas e desesperadas passadas que havia impulsionado. Sentiu as dores arrastando-se pela noite, embriagando-se de confusão e mágoa, rolando pela terra úmida que emoldurava a estrada.
Uma vez terminado o impulso, deixou o peso de si mesma jazer sobre o chão, que se reentrava na sua consciência aos poucos. Pesava sobre o mundo, sentindo a respiração resfolegar-se para dentro e para fora, com o barulho ensurdecedor de quem não quer ver nem lembrar nada. Corria, ainda. Se não com as pernas, com tudo que lhe sobrava fora isso. As dores, enfim, começaram a despontar em seus ferimentos. Sentiu as gotas principiantes se arriscando sobre seu corpo, ouviu-as espatifando-se perto de seus ouvidos. Olhava para cima, vendo as estrelas que já nem se lembrava de existirem. Suas dores, começou a sentir-pensar, vinham todas daqueles pontos brancos flutuantes na negridão do universo. Eles entravam na sua carne como facas quentes, penetrantes. Era o alívio de quem não precisa repousar a consciência em uma dura cama de angustias. Era a liberdade de quem entrega seu corpo à caçada de si mesmo, correndo por caminhos de desencontrar-se a si mesma.
Sentiu a dor das estrelas em sua carne transformar-se em novo impulso, levantou-se de um pulo e reiniciou a corrida, desta vez abandonando por completo a estrada asfaltada. Seguia através dos obstáculos da relva, como um animal acossado pelos faróis violentos de um carro. Ignorava a beleza de seu sangue vermelho tingindo as plantas ignorantes e humilhadas da beira da estrada. Queria gritar, mas não sabia como. Os gritos, sabia sem saber, já haviam sido por demais gastos. Seu fôlego agora pertencia a outras coisas, pertencia aos passos que se desenhavam instintivamente. E ela precisava criar um caminho que não era seu, que estava além de suas pernas, além de seus pulmões. Precisava saber que a vida precisa do irracional, dos animais enraivecidos que correm sem olhar para trás, sem saber o que há em sua frente. Ela precisava livrar-se de si mesma como se nunca tivesse surgido alguma daquelas oportunidades cinzas das noites da cidade. Aquelas em que olhava para si mesma e pensava, ainda com as marcas de ter crescido e se educado, em como tudo aquilo já havia consumido por demais tudo o que poderia ser. As oportunidades haviam tornado-se desesperanças, haviam assumido as cores envelhecidas das estátuas, estanques em um passado intransponível, imutável. Ela pensava, nestas noites, que só poderia ser tudo aquilo que já havia feito.
E era por isso que agora corria com a força de quem quer ser outra. Com a força de quem, por tanto pensar, já sabe que o caminho do novo passa pela violência, pela agressão desmesurada a si mesmo e àquilo que se ama. Queria odiar tudo aquilo que a havia feito ser o que era. Queria livrar-se de todas as cargas semânticas usadas, apodrecidas. Queria reinventar sua língua, esmagar a massa encefálica mofada com um martelo pesado de bater carne.
Ela era autofagia e fuga. Reconstrução e morte. Tinha medo e, conseqüentemente, esperança. Jogava as palavras de seus pensamentos contra a grade de sua consciência. Quebrava!
Uma vez terminado o impulso, deixou o peso de si mesma jazer sobre o chão, que se reentrava na sua consciência aos poucos. Pesava sobre o mundo, sentindo a respiração resfolegar-se para dentro e para fora, com o barulho ensurdecedor de quem não quer ver nem lembrar nada. Corria, ainda. Se não com as pernas, com tudo que lhe sobrava fora isso. As dores, enfim, começaram a despontar em seus ferimentos. Sentiu as gotas principiantes se arriscando sobre seu corpo, ouviu-as espatifando-se perto de seus ouvidos. Olhava para cima, vendo as estrelas que já nem se lembrava de existirem. Suas dores, começou a sentir-pensar, vinham todas daqueles pontos brancos flutuantes na negridão do universo. Eles entravam na sua carne como facas quentes, penetrantes. Era o alívio de quem não precisa repousar a consciência em uma dura cama de angustias. Era a liberdade de quem entrega seu corpo à caçada de si mesmo, correndo por caminhos de desencontrar-se a si mesma.
Sentiu a dor das estrelas em sua carne transformar-se em novo impulso, levantou-se de um pulo e reiniciou a corrida, desta vez abandonando por completo a estrada asfaltada. Seguia através dos obstáculos da relva, como um animal acossado pelos faróis violentos de um carro. Ignorava a beleza de seu sangue vermelho tingindo as plantas ignorantes e humilhadas da beira da estrada. Queria gritar, mas não sabia como. Os gritos, sabia sem saber, já haviam sido por demais gastos. Seu fôlego agora pertencia a outras coisas, pertencia aos passos que se desenhavam instintivamente. E ela precisava criar um caminho que não era seu, que estava além de suas pernas, além de seus pulmões. Precisava saber que a vida precisa do irracional, dos animais enraivecidos que correm sem olhar para trás, sem saber o que há em sua frente. Ela precisava livrar-se de si mesma como se nunca tivesse surgido alguma daquelas oportunidades cinzas das noites da cidade. Aquelas em que olhava para si mesma e pensava, ainda com as marcas de ter crescido e se educado, em como tudo aquilo já havia consumido por demais tudo o que poderia ser. As oportunidades haviam tornado-se desesperanças, haviam assumido as cores envelhecidas das estátuas, estanques em um passado intransponível, imutável. Ela pensava, nestas noites, que só poderia ser tudo aquilo que já havia feito.
E era por isso que agora corria com a força de quem quer ser outra. Com a força de quem, por tanto pensar, já sabe que o caminho do novo passa pela violência, pela agressão desmesurada a si mesmo e àquilo que se ama. Queria odiar tudo aquilo que a havia feito ser o que era. Queria livrar-se de todas as cargas semânticas usadas, apodrecidas. Queria reinventar sua língua, esmagar a massa encefálica mofada com um martelo pesado de bater carne.
Ela era autofagia e fuga. Reconstrução e morte. Tinha medo e, conseqüentemente, esperança. Jogava as palavras de seus pensamentos contra a grade de sua consciência. Quebrava!
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