Where is my mind?
É emgraçado ficar vendo e vivendo as coisas mudando e remudando e tremudando.
Minha vida vao bem, fora problemas pontuais de grande importância que devem ser resolvidos com urgência.
Sabe, é triste como não ter internet e telefone ceifa uma parcela significativa e importante da minha vida social. Mas eu vou dar um jeito de voltar a falar com meus amigos direitinho.
E quem quiser sempre pode passar na minha nova casa pra me visitar.
(Acho que meu grande problema nesta vida é não conseguir ser comedido com as coisas e saber concilicar. Será que é uma limitação intelectual não conseguir se dedicar decentemente a mais de um aspecto da sua vida simultaneamente?)
Saudades são uma coceira engraçada na cabeça.
segunda-feira, outubro 25, 2004
segunda-feira, outubro 18, 2004
Agora tenho pouco tempo pra pensar.
Mas se arranjo, e penso, me sinto vazio por dentro e cheio por fora.
Acho que o que me angustia é não conseguir me encontrar.
E se procuro tanto e não me encontro, deve ser porque não há o que encontrar.
Portanto, eu não existo.
Ou estou procurando do jeito errado no lugar errado.
Mas se arranjo, e penso, me sinto vazio por dentro e cheio por fora.
Acho que o que me angustia é não conseguir me encontrar.
E se procuro tanto e não me encontro, deve ser porque não há o que encontrar.
Portanto, eu não existo.
Ou estou procurando do jeito errado no lugar errado.
domingo, agosto 29, 2004
Quando você abre os olhos e acorda, tudo deveria ser como a vida que você deixou na cama ontem. Quando você acorda, tudo deveria ser um retorno, mais um episódio do gigantesco contínuo.
Você acorda, desperta pra um divórcio.
Antes, com os olhos fechados, você finalmente era um só. Seja lá onde estivesse, você era aquilo, por mais estranho e desconexo que fosse. E quanto mais desperto você se encontra, mais você passa a se perder dentro de tudo aquilo. Aquilo do qual você acordou, aquilo para o qual você acordou, aquilo para o qual você continua dormindo.
Quando você acorda, é um nascimento, é uma morte.
Eu lembro precisamente do rosto que agora há pouco era uma verdade. Ele é meu, ele é tudo, ele é uma invenção imprecisa que não existe. Eu era um passado. Mas agora o que eu sou?
Eu não sou estas linhas tortas, eu não sou uma batida de carro, eu não sou um coquetel de drogas, eu não sou palavras e nem gestos, eu não sou você, eu não sou eu.
Eu não sou um sonho, e nem um despertar.
A vida é um delírio onírico, uma realidade palpável, um algo intangível e concreto como uma parede de granito.
Eu já não sei mais falar, e agora não sei mais se isto importa. Eu já não sei mais atribuir valor às coisas e graduá-las, eu não sei mais ordenar o caos. E eu já não sei se isto importa.
E eu já não sei se você importa.
Ser feliz é o que? E faz parte disto?
Cadernos podem ser preenchidos de tantas maneiras.
- I guess I could be pretty pissed off about what happened to me... but it's hard to stay mad, when there's so much beauty in the world. Sometimes I feel like I'm seeing it all at once, and it's too much, my heart fills up like a balloon that's about to burst...And then I remember to relax, and stop trying to hold on to it, and then it flows through me like rain and I can't feel anything but gratitude for every single moment of my stupid little life...You have no idea what I'm talking about, I'm sure... but don't worry...You will someday.
-Lester, American Beauty
Você acorda, desperta pra um divórcio.
Antes, com os olhos fechados, você finalmente era um só. Seja lá onde estivesse, você era aquilo, por mais estranho e desconexo que fosse. E quanto mais desperto você se encontra, mais você passa a se perder dentro de tudo aquilo. Aquilo do qual você acordou, aquilo para o qual você acordou, aquilo para o qual você continua dormindo.
Quando você acorda, é um nascimento, é uma morte.
Eu lembro precisamente do rosto que agora há pouco era uma verdade. Ele é meu, ele é tudo, ele é uma invenção imprecisa que não existe. Eu era um passado. Mas agora o que eu sou?
Eu não sou estas linhas tortas, eu não sou uma batida de carro, eu não sou um coquetel de drogas, eu não sou palavras e nem gestos, eu não sou você, eu não sou eu.
Eu não sou um sonho, e nem um despertar.
A vida é um delírio onírico, uma realidade palpável, um algo intangível e concreto como uma parede de granito.
Eu já não sei mais falar, e agora não sei mais se isto importa. Eu já não sei mais atribuir valor às coisas e graduá-las, eu não sei mais ordenar o caos. E eu já não sei se isto importa.
E eu já não sei se você importa.
Ser feliz é o que? E faz parte disto?
Cadernos podem ser preenchidos de tantas maneiras.
- I guess I could be pretty pissed off about what happened to me... but it's hard to stay mad, when there's so much beauty in the world. Sometimes I feel like I'm seeing it all at once, and it's too much, my heart fills up like a balloon that's about to burst...And then I remember to relax, and stop trying to hold on to it, and then it flows through me like rain and I can't feel anything but gratitude for every single moment of my stupid little life...You have no idea what I'm talking about, I'm sure... but don't worry...You will someday.
-Lester, American Beauty
sexta-feira, agosto 27, 2004
sexta-feira, agosto 13, 2004
sexta-feira, julho 30, 2004
domingo, julho 25, 2004
Às vezes a gente tem que se enfrentar.
Eu olho pra você, como se fosse um espelho ou um retrato antigo. Uma foto de criança com cabelo engomadinho e roupa bordada com firulas, que a mamãe colocou pra ficar bem bonito. Eu olho pra você e eu posso ver um monte de coisas.
Aí eu me pergunto.
O que você vê quando olha pra mim?
O que acontece quando você mergulha e fica lá embaixo muito tempo?
Quando foi a última vez que você me enfrentou?
Quando foi a última vez que você se enfrentou?
Em que mundo você vive e em que mundo você quer viver?
Não é bom ter uma alma com cãimbras.
Exercite-se, exercite-me.
Abraços sinceros.
Eu olho pra você, como se fosse um espelho ou um retrato antigo. Uma foto de criança com cabelo engomadinho e roupa bordada com firulas, que a mamãe colocou pra ficar bem bonito. Eu olho pra você e eu posso ver um monte de coisas.
Aí eu me pergunto.
O que você vê quando olha pra mim?
O que acontece quando você mergulha e fica lá embaixo muito tempo?
Quando foi a última vez que você me enfrentou?
Quando foi a última vez que você se enfrentou?
Em que mundo você vive e em que mundo você quer viver?
Não é bom ter uma alma com cãimbras.
Exercite-se, exercite-me.
Abraços sinceros.
segunda-feira, julho 05, 2004
Estive fora de SP neste fim de semana, mas estou de volta.
Vou de novo pra assembléia, a partir de hoje à noite.
Caso alguém da USP ou alguém que se importe minimamente com a greve apareça por aqui, amanhã vai ter o ato mais importante da greve. Apareçam na assembléia em qualquer momento, vai ter votação da LDO e é MUITO importante termos muitas pessoas por lá.
Se vcs quiserem ir hoje mesmo e se juntar ao acampamento, são bem vindos.
Até mais.
Vou de novo pra assembléia, a partir de hoje à noite.
Caso alguém da USP ou alguém que se importe minimamente com a greve apareça por aqui, amanhã vai ter o ato mais importante da greve. Apareçam na assembléia em qualquer momento, vai ter votação da LDO e é MUITO importante termos muitas pessoas por lá.
Se vcs quiserem ir hoje mesmo e se juntar ao acampamento, são bem vindos.
Até mais.
terça-feira, junho 29, 2004
segunda-feira, junho 21, 2004
Às vezes as coisas mudam.
Às vezes, parece que as coisas mudaram mas é só porque as pessoas nunca enxergaram que no fundo elas já eram daquele jeito.
As pessoas são demasiadamente presas aos seus pontos de vista e preconceitos. As pessoas são críticas de menos, egoístas de menos e muitíssimo apressadas em julgar as ações e pensamentos dos outros. Nada contra, é necessário julgar os outros em um momento ou outro. Mas se olha no espelho antes de dizer que alguém é imbecil.
Ah, eu estou bem sim Thaís. Bem demais até, tomei um spray de pimenta na cara e uns empurrões com cassetete, mas isto não me fez mal.
Mas o que importa agora é que não é o momento pra escrever. Fora o fato de que eu preciso urgentemente arranjar um word. Alguém tem?
Às vezes, parece que as coisas mudaram mas é só porque as pessoas nunca enxergaram que no fundo elas já eram daquele jeito.
As pessoas são demasiadamente presas aos seus pontos de vista e preconceitos. As pessoas são críticas de menos, egoístas de menos e muitíssimo apressadas em julgar as ações e pensamentos dos outros. Nada contra, é necessário julgar os outros em um momento ou outro. Mas se olha no espelho antes de dizer que alguém é imbecil.
Ah, eu estou bem sim Thaís. Bem demais até, tomei um spray de pimenta na cara e uns empurrões com cassetete, mas isto não me fez mal.
Mas o que importa agora é que não é o momento pra escrever. Fora o fato de que eu preciso urgentemente arranjar um word. Alguém tem?
segunda-feira, junho 07, 2004
The Good Life
When I look in the mirror, I can't believe what I see
Tell me, who's that funky dude, staring back at me?
Broken, beaten down can't even get around
Without an old-man cane, I fall and hit the ground
Shivering in the cold, I'm bitter and alone
Excuse the bitchin', I shouldn't complain
I should have no feeling, 'cuz feeling is pain
As everything I need, is denied me
And everything i want, is taken away from me
But who do I got to blame? Nobody but me
…And I don't wanna be an old man anymore
It's been a year or two since I was out on the floor
Shakin' booty, makin' sweet love all the night
It's time I got back to the Good Life
It's time i got back, it's time i got back
And I don't even know how I got off the track
I wanna go back…Yeah!
Screw this crap, I've had it! I ain't no Mr. Cool
I'm a pig, I'm a dog, so 'scuse me if I drool
I ain't gonna hurt nobody, ain't gonna 'cause a scene
I just need to admit that I want sugar in my tea
Hear me? Hear me? I want sugar in my tea!
…And I don't wanna be an old man anymore
It's been a year or two since I was out on the floor
Shakin' booty, makin' sweet love all the night
It's time I got back to the Good Life
It's time i got back, it's time i got back
And I don't even know how I got off the track
I wanna go back…Yeah!
I want to go back, I want to go back
And I don't even know how I got off the track
It's time i got back, it's time i got back
And I don't even know how I got off the track
I want to go back…Yeah!
…And I don't wanna be an old man anymore
It's been a year or two since I was out on the floor
Shakin' booty, makin' sweet love all the night
It's time I got back to the Good Life
It's time i got back, it's time i got back
and I don't even know how I got off the track
I wanna go back…Yeah!
When I look in the mirror, I can't believe what I see
Tell me, who's that funky dude, staring back at me?
Broken, beaten down can't even get around
Without an old-man cane, I fall and hit the ground
Shivering in the cold, I'm bitter and alone
Excuse the bitchin', I shouldn't complain
I should have no feeling, 'cuz feeling is pain
As everything I need, is denied me
And everything i want, is taken away from me
But who do I got to blame? Nobody but me
…And I don't wanna be an old man anymore
It's been a year or two since I was out on the floor
Shakin' booty, makin' sweet love all the night
It's time I got back to the Good Life
It's time i got back, it's time i got back
And I don't even know how I got off the track
I wanna go back…Yeah!
Screw this crap, I've had it! I ain't no Mr. Cool
I'm a pig, I'm a dog, so 'scuse me if I drool
I ain't gonna hurt nobody, ain't gonna 'cause a scene
I just need to admit that I want sugar in my tea
Hear me? Hear me? I want sugar in my tea!
…And I don't wanna be an old man anymore
It's been a year or two since I was out on the floor
Shakin' booty, makin' sweet love all the night
It's time I got back to the Good Life
It's time i got back, it's time i got back
And I don't even know how I got off the track
I wanna go back…Yeah!
I want to go back, I want to go back
And I don't even know how I got off the track
It's time i got back, it's time i got back
And I don't even know how I got off the track
I want to go back…Yeah!
…And I don't wanna be an old man anymore
It's been a year or two since I was out on the floor
Shakin' booty, makin' sweet love all the night
It's time I got back to the Good Life
It's time i got back, it's time i got back
and I don't even know how I got off the track
I wanna go back…Yeah!
terça-feira, junho 01, 2004
Eu tive uma idéia, provavelmente uma das mais práticas e certeiras que já passou pela minha cabeça.
Eu devia tatuar "OTÁRIO" bem grande na minha testa, assim quando eu acordasse e olhasse no espelho eu não correria mais o risco de esquecer esta informação vital.
Mas eu não vou colocar minha idéia em prática.
Eu devia tatuar "OTÁRIO" bem grande na minha testa, assim quando eu acordasse e olhasse no espelho eu não correria mais o risco de esquecer esta informação vital.
Mas eu não vou colocar minha idéia em prática.
Abstinência de vida. Maldito vício.
Dormindo. É o único jeito de escapar. Não de verdade, porque de verdade não se escapa. E eu já sei disto, faz tempo, por mais que relute. Quando se está dormindo apenas os sonhos atormentam. E os pesadelos. Mas não faz diferença, não dá mais pra dizer qual é qual. Não existe mais esta distinção nos mundos que me acolhem quando eu fecho os olhos pra fugir. Pra fugir de tudo e continuo aqui, esperando acordar. Não dá pra dormir pra sempre, e eu acordo. Uma, duas, dez vezes. Eu acordo pra sempre e vejo que nos meus sonhos tudo é ruim também. Tudo é ruim de qualquer jeito, e eu tento fazer de tudo pra não conseguir pensar em nada. Mas não pensar é impossível, não sentir é impossível. Faz parte de ser. E é por isto que eu não queria ser. Eu queria não ser. Só que eu sou e continuo sendo e mesmo nos meus sonhos eu sou, e sinto e penso. E tudo me arrasta de volta sempre pro mesmo lugar. Uma âncora me prende, mas o motor continua correndo. Tudo se esgota, tudo me esgota. Nada esgota os meus sonhos. As lágrimas são a prova de que estou vivo. Acho que as lágrimas são a única coisa que diferencia os sonhos da vida. Quando acabam os sonhos, vêm as lágrimas. Antes de começar os sonhos, tem as lágrimas. Elas secam, mas vêm outras. Não acabam.
Os sonhos sempre dependem de quem os cria. Se alguém não os sonhasse, não seriam sonhos, não seriam nada. Mas e se existisse um sonho sem ninguém para sonhá-lo? É a solidão mais triste, que um sonho tenha que correr atrás de seu sonhador. Isto não existe. Mas ainda assim chora.
Abstinência de verdade, crenças, esperanças. Malditos vícios. Um viciado faz de tudo para conseguir suas drogas. A vida é triste correndo atrás de vícios.
Dormindo. É o único jeito de escapar. Não de verdade, porque de verdade não se escapa. E eu já sei disto, faz tempo, por mais que relute. Quando se está dormindo apenas os sonhos atormentam. E os pesadelos. Mas não faz diferença, não dá mais pra dizer qual é qual. Não existe mais esta distinção nos mundos que me acolhem quando eu fecho os olhos pra fugir. Pra fugir de tudo e continuo aqui, esperando acordar. Não dá pra dormir pra sempre, e eu acordo. Uma, duas, dez vezes. Eu acordo pra sempre e vejo que nos meus sonhos tudo é ruim também. Tudo é ruim de qualquer jeito, e eu tento fazer de tudo pra não conseguir pensar em nada. Mas não pensar é impossível, não sentir é impossível. Faz parte de ser. E é por isto que eu não queria ser. Eu queria não ser. Só que eu sou e continuo sendo e mesmo nos meus sonhos eu sou, e sinto e penso. E tudo me arrasta de volta sempre pro mesmo lugar. Uma âncora me prende, mas o motor continua correndo. Tudo se esgota, tudo me esgota. Nada esgota os meus sonhos. As lágrimas são a prova de que estou vivo. Acho que as lágrimas são a única coisa que diferencia os sonhos da vida. Quando acabam os sonhos, vêm as lágrimas. Antes de começar os sonhos, tem as lágrimas. Elas secam, mas vêm outras. Não acabam.
Os sonhos sempre dependem de quem os cria. Se alguém não os sonhasse, não seriam sonhos, não seriam nada. Mas e se existisse um sonho sem ninguém para sonhá-lo? É a solidão mais triste, que um sonho tenha que correr atrás de seu sonhador. Isto não existe. Mas ainda assim chora.
Abstinência de verdade, crenças, esperanças. Malditos vícios. Um viciado faz de tudo para conseguir suas drogas. A vida é triste correndo atrás de vícios.
segunda-feira, maio 31, 2004
Never There
I need your arms around me, I need to feel your touch
I need your understanding, I need your love so much
You tell me that you love me so, you tell me that you care
But when I need you baby, you’re never there
On the phone long, long distance
Always through such strong resistance
First you say you’re too busy
I wonder if you even miss me
Never there
You’re never there
You’re never, ever, ever, ever there
A golden bird that flies away, a candle’s fickle flame
To think I held you yesterday, your love was just a game
A golden bird that flies away, a candle’s fickle flame
To think I held you yesterday, your love was just a game
You tell me that you love me so, you tell me that you care
But when I need you baby
Take the time to get to know me
If you want me why can’t you just show me
We’re always on this roller coaster
If you want me why can’t you get closer?
Never there
You’re never there
You’re never ever ever ever there
I need your arms around me, I need to feel your touch
I need your understanding, I need your love so much
You tell me that you love me so, you tell me that you care
But when I need you baby, you’re never there
On the phone long, long distance
Always through such strong resistance
First you say you’re too busy
I wonder if you even miss me
Never there
You’re never there
You’re never, ever, ever, ever there
A golden bird that flies away, a candle’s fickle flame
To think I held you yesterday, your love was just a game
A golden bird that flies away, a candle’s fickle flame
To think I held you yesterday, your love was just a game
You tell me that you love me so, you tell me that you care
But when I need you baby
Take the time to get to know me
If you want me why can’t you just show me
We’re always on this roller coaster
If you want me why can’t you get closer?
Never there
You’re never there
You’re never ever ever ever there
quinta-feira, maio 27, 2004
Thru The Eyes Of Ruby Lyrics
Wrap me in always, and drag me in with maybes
Your innocence is treasure, your innocence is death
Your innocence is all I have
Breathing underwater, and living under glass
And if you spin your love around
The secrets of your dreams
You may find your love is gone
And is not quite what it seemed
To appear to disappear
Beneath all your darkest fears
I believe in never, I believe in all the way
But belief is not to notice, belief is just some faith
And faith can't help you to escape
And with this ring I wed thee true
And with this ring I wed thee now
And with this ring I play so dead
But no one's asking for the truth, so let me tell you
If you spin your love around
The secrets of your dreams
You may find your love is gone
And is not quite what it seemed
To appear to disappear
Beneath all your darkest fears
To the revelations of fresh faced youth
No one will come to save you
So speak your peace in the murmurs drawn
But youth is wasted on the young
Your strength is my weakness, your weakness my hate
My love for you just can't explain
Why we're forever frozen, forever beautiful,
Forever lost inside ourselves
The night has come to hold us young
Wrap me in always, and drag me in with maybes
Your innocence is treasure, your innocence is death
Your innocence is all I have
Breathing underwater, and living under glass
And if you spin your love around
The secrets of your dreams
You may find your love is gone
And is not quite what it seemed
To appear to disappear
Beneath all your darkest fears
I believe in never, I believe in all the way
But belief is not to notice, belief is just some faith
And faith can't help you to escape
And with this ring I wed thee true
And with this ring I wed thee now
And with this ring I play so dead
But no one's asking for the truth, so let me tell you
If you spin your love around
The secrets of your dreams
You may find your love is gone
And is not quite what it seemed
To appear to disappear
Beneath all your darkest fears
To the revelations of fresh faced youth
No one will come to save you
So speak your peace in the murmurs drawn
But youth is wasted on the young
Your strength is my weakness, your weakness my hate
My love for you just can't explain
Why we're forever frozen, forever beautiful,
Forever lost inside ourselves
The night has come to hold us young
quarta-feira, maio 26, 2004
Inúmeras vezes levantei. Senti minhas pernas se esticando, meus músculos contraindo, minhas articulações rangendo e estalando, minha configuração espacial se transformando no meu cérebro, minha freqüência respiratória e cardíaca se alterando. Contei, pra ter certeza. Levantar era um esforço, como levantar o mundo nas costas, mas tudo confirmava: vinte e cinco movimentos respiratórios por minuto, cento e vinte batimentos cardíacos. Tendões esticados, tensos, retesando-se a todo custo. Depois a dor, a fadiga, câimbras, tremedeiras. O suor, escorrendo lentamente, tentando aplacar o calor que toma o corpo, cada vez mais quente pelo esforço. A planta do pé firme, colada ao chão duro. A visão turva, embaçando, o mal-estar, desconforto, enjôo, ânsias. Glicemia baixando, energia se consumindo, dor.
Mas quando abri os olhos, não tinha levantado.
Mas quando abri os olhos, não tinha levantado.
terça-feira, maio 25, 2004
Às vezes os dias são lutas.
Acordamos como quem não quer, abrimos os olhos e levantamos como quem não deve. Contra nós mesmos nos colocamos de pé. Como quem não quer ver este mundo que parece feito para nos maltratar. Quero me agarrar nos meus sonhos, tão lindos, tão violentamente destroçados pelo ranço da realidade. Mas é tarde demais, ele gruda, ele infecta e contamina. Estamos acordados e vivendo, e não há muito que se possa fazer a respeito. Os sonhos que pareciam tão bons, agora parecem servir apenas para explicitar, esfregar na nossa cara o desgosto de cada passo, de cada momento nesta prisão a céu aberto.
Escola, trabalho, almoço, jantar, escovar os dentes, tomar banho, trocar de roupa, pagar as contas, assistir tevê, arrumar a cama, lavar a roupa, arrumar o quarto, ligar pro Zé, marcar dentista, ir no médico, trocar as fraldas, fazer as compras, ser educado, cumprir as tarefas. Não pense muito e vai dar tudo certo. Apenas faça aquilo, mantenha os pés no chão, mantenha a cabeça cheia de vazios consistentes de realidade. Idiossincrasias em excesso. Engula-as com um pão com manteiga e um café com leite e parta pra luta. A luta de se manter em constante caminho certeiro, sem hesitar nem parar. Olhando pros lados pra ver se está na frente, se está direito. Rumo imutável, inabalável, verdadeiro, na direção do dia seguinte, do insuportável e ordinário dia seguinte que te chama. Na cama, a noite, as lágrimas tem que secar rápido. Elas não pode tomar o espaço reservado para a reconfortante certeza de que acabou. Você sobreviveu de novo, a mais um dia. E isto tem que ser o suficiente pra que você não se faça a inútil pergunta. Se você ganhou a luta, não importa. O que importa é que amanhã tem outra, e que você tem que dormir pra estar bem descansado e pronto para enfrentá-la. Algumas horas de fuga, algumas horas de sono e sonhos. Ou pesadelos com o interminável amanhã e o incorrigível ontem. Pé na estrada, de carona na boleia do caminhão que vai nos levando ao nosso derradeiro destino. Uma morte agonizante e infértil que ingenuamente denominamos vida.
Acordamos como quem não quer, abrimos os olhos e levantamos como quem não deve. Contra nós mesmos nos colocamos de pé. Como quem não quer ver este mundo que parece feito para nos maltratar. Quero me agarrar nos meus sonhos, tão lindos, tão violentamente destroçados pelo ranço da realidade. Mas é tarde demais, ele gruda, ele infecta e contamina. Estamos acordados e vivendo, e não há muito que se possa fazer a respeito. Os sonhos que pareciam tão bons, agora parecem servir apenas para explicitar, esfregar na nossa cara o desgosto de cada passo, de cada momento nesta prisão a céu aberto.
Escola, trabalho, almoço, jantar, escovar os dentes, tomar banho, trocar de roupa, pagar as contas, assistir tevê, arrumar a cama, lavar a roupa, arrumar o quarto, ligar pro Zé, marcar dentista, ir no médico, trocar as fraldas, fazer as compras, ser educado, cumprir as tarefas. Não pense muito e vai dar tudo certo. Apenas faça aquilo, mantenha os pés no chão, mantenha a cabeça cheia de vazios consistentes de realidade. Idiossincrasias em excesso. Engula-as com um pão com manteiga e um café com leite e parta pra luta. A luta de se manter em constante caminho certeiro, sem hesitar nem parar. Olhando pros lados pra ver se está na frente, se está direito. Rumo imutável, inabalável, verdadeiro, na direção do dia seguinte, do insuportável e ordinário dia seguinte que te chama. Na cama, a noite, as lágrimas tem que secar rápido. Elas não pode tomar o espaço reservado para a reconfortante certeza de que acabou. Você sobreviveu de novo, a mais um dia. E isto tem que ser o suficiente pra que você não se faça a inútil pergunta. Se você ganhou a luta, não importa. O que importa é que amanhã tem outra, e que você tem que dormir pra estar bem descansado e pronto para enfrentá-la. Algumas horas de fuga, algumas horas de sono e sonhos. Ou pesadelos com o interminável amanhã e o incorrigível ontem. Pé na estrada, de carona na boleia do caminhão que vai nos levando ao nosso derradeiro destino. Uma morte agonizante e infértil que ingenuamente denominamos vida.
domingo, maio 23, 2004
Às vezes acontece esta desgraça, que você precisa de uma maldita palavra que não existe. É bem diferente da palavra que você quer e não encontra, que escapou da sua cabeça. Tem ocasiões que você precisa de uma palavra que possa dar conta de coisas que palavras não podem fazer. Tem vezes que você precisa de uma salvação, e inutilmente vai caçá-la nas palavras.
Todo o ódio e desgosto que eu preciso, toda a mágoa e os gritos e lágrimas contidos. Toda a repulsa por tudo aquilo que eu desprezo e recuso, toda a insatisfação que eu não consigo por pra fora. Todos os fracassos acumulados, todos os sonhos desfeitos, todas as desilusões criadas. Toda minha decepção, minhas esperanças dilaceradas que se penduram sôfregas e decadentes nas bordas da minha vida, todas as investidas e tentativas e recomeços e esforços e insatisfação e agonia e desespero e tudo de novo e de novo e de novo. Todo o maldito ciclo que vem e se desfaz e se reconstrói com unha e ferro e fogo e carne e sangue e lágrimas e desgosto. Todo o castelo que se constrói, tijolo por tijolo, com imaginação gasta e superações de limites e esforços supremos e sonhos alcançados. Todo o castelo que se põe abaixo em um segundo, uma palavra, um gesto, um olhar. Toda a indiferença, a pena, a lástima, a desgraça. Tudo o que se perde, se destrói, se esvai, se acaba, se esgota, se finda, morre, termina, some, desaparece, perece, desfaz. Todos os gritos que ninguém ouve, todas as gargantas em vão que se criam por uma guerra que não pode ser lutada. Todas as intenções que não se concretizam, os sonhos que não tem sono, as palavras censuradas. Todos os sacrifícios ocultos, as oferendas recusadas, os mundos de beleza e esplendor que mofam em um canto de armário sem nunca cumprir seu desígnio. Todas as verdades encobertas, as mentiras vitoriosas, as falsidades constituídas, os ideais que não importam, a jornada que não se completa, que morre na praia, que se deita, que se esquece. Todas as vinganças que crescem e se elaboram e se alimentam do ódio infindável que se alimenta nos restos e cresce na escuridão e almeja com cada fibra de horror o dia final em que irá ter nas suas mãos o sangue quente, o gozo final, o alimento da vida, todas as vinganças que não acontecem. Todo o amor que se guarda nas pessoas solitárias e tristes, o amor que se transforma em lágrimas amargas de desgosto pelo mundo que as abandona, que vira as costas sem jamais olhar para trás. Todos os pedidos que não são ouvidos, as súplicas soluçantes que são ignoradas, as risadas que se fazem às custas do sofrimento alheio eterno. Todas as dores desprezadas, pequenas demais para existirem ou grandes demais para serem verossímeis. Todos os exageros e antagonismos da sua felicidade, compaixão, alegria, piedade, esperança, carinho, amor, beleza. Tudo o que se quis para as pessoas que mereciam e que não se fez. Todas as mortes injustas e lentas e dolorosas e sofridas. Todas as torturas e angustias e desprezo. Tudo o que um dia eu quis oferecer e me foi enfiado goela abaixo com socos e pontapés no estômago. Toda a amizade fingida, os interesses ocultos, as segundas intenções, as coisas feitas por debaixo do pano, as sacanagens inconfessáveis de uma meia-noite esquecida, as traições descaradas, as reviravoltas injustas, os motins. Tudo o que há de ruim em mim desde sempre e que cresce e se alimenta com a podridão do mundo que se instala em mim a cada dia em doses pequenas e dilacerantes. Todas as coisas boas que um dia moraram em cada coração de cada ser humano bom e ingênuo de cada canto e que se desfaz com o desgosto e a mágoa eterna das amarguras que corroem tudo, tudo o que havia e poderia haver de bom neste mundo. Todos os que se sentem inferiores, injustiçados, que são pisados, humilhados, esquecidos, destruídos, abandonados. Todos os suicídios tristes em quartos de hotel de beira de estrada, em janelas de apartamentos, em festas de aniversário. Todos os natais tristes e solitários, todas as pessoas que ficaram de fora de todas as comemorações, todas as datas especiais que se passa sozinho e triste com uma angustia interminável no peito. Todas as madrugadas na rua, de frio, fome e miséria. Todas as guerras com suas mortes, torturas, mutilações, escoriações, cicatrizes. Todos os roubos, incêndios, homicídios, estupros, seqüestros, estelionatos, extorsões, chantagens, brigas. Tudo o que todas as pessoas já fizeram de mal para as outras, justificando para si mesmas que faziam o bem. Todas as mentiras, todas as pessoas que são adoradas e conquistam um espaço no coração dos outros através de trapaças, manipulações, mentiras e armações. Tudo o que há de ruim e detestável neste mundo, todas as vezes em que não há luz no fim do túnel, não há esperança nenhuma de se livrar desta desgraça que é a vida porque o mundo e as pessoas são podres demais para fazerem alguma coisa que presta. Todas as vezes em que todo o resto do mundo é feliz e eu sou miserável. Todas as vezes em que todos são bons e eu sou um lixo. Todas as vezes que contei com amigos e me decepcionei. Todas as vezes em que coloquei todas as minhas esperanças em alguma coisa que me apunhalou e apunhalou e apunhalou. Todas as vezes que eu quis dizer e ninguém me ouviu, todas as vezes em que eu estava certo e todo mundo disse o contrário. Todas as vezes em que fui bom e disseram que eu fui mau. Todas as vezes em que fiz algo certo e não fui reconhecido. Todos os meus erros estúpidos que não pude consertar, todos os erros que cresceram e dominaram tudo. Todas as pessoas que sofrem e sofrem e sofrem para sempre. Todas as pessoas que já viveram e já morreram e sofreram e foram infelizes e sentiram dor e tudo isto não valeu a pena para nada. Todas as mortes infelizes e sofridas com todos os seus arrependimentos. Todas as pessoas por nascer e todo o seu sofrimento que não existe, mas que ainda existirá e será real e horrível. Tudo o que um dia desejei com todas as minhas forças e não fui capaz de conseguir.
Todo o ódio e desgosto que eu preciso, toda a mágoa e os gritos e lágrimas contidos. Toda a repulsa por tudo aquilo que eu desprezo e recuso, toda a insatisfação que eu não consigo por pra fora. Todos os fracassos acumulados, todos os sonhos desfeitos, todas as desilusões criadas. Toda minha decepção, minhas esperanças dilaceradas que se penduram sôfregas e decadentes nas bordas da minha vida, todas as investidas e tentativas e recomeços e esforços e insatisfação e agonia e desespero e tudo de novo e de novo e de novo. Todo o maldito ciclo que vem e se desfaz e se reconstrói com unha e ferro e fogo e carne e sangue e lágrimas e desgosto. Todo o castelo que se constrói, tijolo por tijolo, com imaginação gasta e superações de limites e esforços supremos e sonhos alcançados. Todo o castelo que se põe abaixo em um segundo, uma palavra, um gesto, um olhar. Toda a indiferença, a pena, a lástima, a desgraça. Tudo o que se perde, se destrói, se esvai, se acaba, se esgota, se finda, morre, termina, some, desaparece, perece, desfaz. Todos os gritos que ninguém ouve, todas as gargantas em vão que se criam por uma guerra que não pode ser lutada. Todas as intenções que não se concretizam, os sonhos que não tem sono, as palavras censuradas. Todos os sacrifícios ocultos, as oferendas recusadas, os mundos de beleza e esplendor que mofam em um canto de armário sem nunca cumprir seu desígnio. Todas as verdades encobertas, as mentiras vitoriosas, as falsidades constituídas, os ideais que não importam, a jornada que não se completa, que morre na praia, que se deita, que se esquece. Todas as vinganças que crescem e se elaboram e se alimentam do ódio infindável que se alimenta nos restos e cresce na escuridão e almeja com cada fibra de horror o dia final em que irá ter nas suas mãos o sangue quente, o gozo final, o alimento da vida, todas as vinganças que não acontecem. Todo o amor que se guarda nas pessoas solitárias e tristes, o amor que se transforma em lágrimas amargas de desgosto pelo mundo que as abandona, que vira as costas sem jamais olhar para trás. Todos os pedidos que não são ouvidos, as súplicas soluçantes que são ignoradas, as risadas que se fazem às custas do sofrimento alheio eterno. Todas as dores desprezadas, pequenas demais para existirem ou grandes demais para serem verossímeis. Todos os exageros e antagonismos da sua felicidade, compaixão, alegria, piedade, esperança, carinho, amor, beleza. Tudo o que se quis para as pessoas que mereciam e que não se fez. Todas as mortes injustas e lentas e dolorosas e sofridas. Todas as torturas e angustias e desprezo. Tudo o que um dia eu quis oferecer e me foi enfiado goela abaixo com socos e pontapés no estômago. Toda a amizade fingida, os interesses ocultos, as segundas intenções, as coisas feitas por debaixo do pano, as sacanagens inconfessáveis de uma meia-noite esquecida, as traições descaradas, as reviravoltas injustas, os motins. Tudo o que há de ruim em mim desde sempre e que cresce e se alimenta com a podridão do mundo que se instala em mim a cada dia em doses pequenas e dilacerantes. Todas as coisas boas que um dia moraram em cada coração de cada ser humano bom e ingênuo de cada canto e que se desfaz com o desgosto e a mágoa eterna das amarguras que corroem tudo, tudo o que havia e poderia haver de bom neste mundo. Todos os que se sentem inferiores, injustiçados, que são pisados, humilhados, esquecidos, destruídos, abandonados. Todos os suicídios tristes em quartos de hotel de beira de estrada, em janelas de apartamentos, em festas de aniversário. Todos os natais tristes e solitários, todas as pessoas que ficaram de fora de todas as comemorações, todas as datas especiais que se passa sozinho e triste com uma angustia interminável no peito. Todas as madrugadas na rua, de frio, fome e miséria. Todas as guerras com suas mortes, torturas, mutilações, escoriações, cicatrizes. Todos os roubos, incêndios, homicídios, estupros, seqüestros, estelionatos, extorsões, chantagens, brigas. Tudo o que todas as pessoas já fizeram de mal para as outras, justificando para si mesmas que faziam o bem. Todas as mentiras, todas as pessoas que são adoradas e conquistam um espaço no coração dos outros através de trapaças, manipulações, mentiras e armações. Tudo o que há de ruim e detestável neste mundo, todas as vezes em que não há luz no fim do túnel, não há esperança nenhuma de se livrar desta desgraça que é a vida porque o mundo e as pessoas são podres demais para fazerem alguma coisa que presta. Todas as vezes em que todo o resto do mundo é feliz e eu sou miserável. Todas as vezes em que todos são bons e eu sou um lixo. Todas as vezes que contei com amigos e me decepcionei. Todas as vezes em que coloquei todas as minhas esperanças em alguma coisa que me apunhalou e apunhalou e apunhalou. Todas as vezes que eu quis dizer e ninguém me ouviu, todas as vezes em que eu estava certo e todo mundo disse o contrário. Todas as vezes em que fui bom e disseram que eu fui mau. Todas as vezes em que fiz algo certo e não fui reconhecido. Todos os meus erros estúpidos que não pude consertar, todos os erros que cresceram e dominaram tudo. Todas as pessoas que sofrem e sofrem e sofrem para sempre. Todas as pessoas que já viveram e já morreram e sofreram e foram infelizes e sentiram dor e tudo isto não valeu a pena para nada. Todas as mortes infelizes e sofridas com todos os seus arrependimentos. Todas as pessoas por nascer e todo o seu sofrimento que não existe, mas que ainda existirá e será real e horrível. Tudo o que um dia desejei com todas as minhas forças e não fui capaz de conseguir.
quarta-feira, maio 19, 2004
Podia ainda ouvir incessantemente o barulho que o vaso fizera ao se espatifar contra a porta. Em sua cabeça, mil vezes, ele era ainda mais ensurdecedor. Não existia mais nada que não fosse aquele barulho, pai dos cacos que jaziam no chão da sala. Os gritos já eram mudos, não diziam nada. Um crescente da sinfonia que se compôs, sobrepondo nota acima de nota, elevando a cacofonia ao estado sublime e prodigioso de sua forma, as batidas, os grunhidos, os berros, os gemidos. Toda uma ordem calculada e desmesurada, quebrantada em um espasmo súbito. Apenas a dor exaltada na repentina explosão lavava seu espírito da pueridade infeliz das intenções. As intenções nunca valeram de nada: o mundo se construiria por elas da mesma forma que o vaso pelos seus cacos inertes. A vida se espatifou contra a porta. Eu me espatifei contra você. Meu sonho se espatifou na manhã. Se espatifar uma vida fosse fácil como espatifar o vaso, teria nas mãos a coleção dos cacos que herdou dela. Alguém que já fechou a porta, com um vaso espatifando-se atrás. Alguém cujo telefone toca eternamente, mas que nunca vai ser atendido. Sua porta, fechada, muito antes dos gritos ou do vaso, já tinha espatifado a vida no barulho insolúvel.
Fora uma briga como qualquer outra, os vizinhos podiam confirmar. Só que tinha os cacos do vaso, a porta batida. Tinha coisa de menos, antes de ter coisa demais. Ela, dois quarteirões andando bem rápido pela rua, os passos firmes. As lágrimas não escorriam, seguras em seus olhos como se sua vida dependesse disto. Marejados, vermelhos, agora doíam pelo esforço de não piscar. Se piscasse, elas escorreriam. Ela não enxergava mais nada, a visão obstruída pelas lágrimas que se acumulavam. Em sua cabeça primeiro tinham xingamentos, palavrões, que depois viraram em lista de supermercado, nomes de cds. Qualquer coisa que ela pudesse sussurrar para si mesma por entre os dentes cerrados que rangiam enquanto ela descia a rua em tropeços ofegantes e desconcertados. Estava ocupada demais para prestar atenção no que pensava, tinha que andar rápido e não deixar as lágrimas escorrerem. Depois que as pernas se cansaram o suficiente para questionar o porque do esforço, depois que os olhos ardiam o suficiente para questionar o porque não das lágrimas, foi aí que ela parou, sentou no meio fio e desatinou a chorar. Um choro copioso que assustou qualquer pedestre que pensasse em ajudá-la. Era claro, estava além da ajuda de um passante inocente. Melhor cuidar da própria vida.
Aos cacos do vaso no chão juntaram-se os de dois copos, depois de um prato, depois os do controle remoto e por fim os do enfeite feio de porcelana sobre a mesinha de centro. Acabaram-se as coisas espatifáveis ao seu alcance, e então ele percebeu que jogar coisas na porta não faria ela se abrir de novo, e que ela já não estava mais escutando as coisas se espatifarem na porta. Viu que sua mão tinha sangue, e primeiro achou que tinha se cortado com algum caco. Depois viu que as feridas foram provocadas pelas suas unhas entrando na carne da sua mão, enquanto ele as fechava convulsivamente em ódio irreprimível e irracional. Nada se espatifaria satisfatoriamente a ponto de controlar sua raiva. O ódio impotente crescia, tomando forma de uma angustia irreprimível. Encolhido no sofá, ele chorava como um bebê de colo ao relento. Se sua dor fosse apenas um pouco maior, parecia, talvez ele não precisasse mais se importar com ela. Os dentes dele desfaziam-se enquanto ele esfregava sofregamente sua arcada superior contra a inferior. Os gritos eram abafados pelas almofadas do sofá nas quais sua cara se enterrava, e seus braços tremiam descontroladamente.
Ela, sem perceber, mordia os lábios e afundava seus sapatos recém-lavados na água suja que escorria pela sarjeta. As lágrimas escorriam mais rápido do que caberiam em seus pequenos olhos, e os soluços se atropelavam pela sua boca, sacudindo seu corpo esquelético em chacoalhadas repetidas. Acompanhando seu choro, uma espécie de gemido fino se esgueirava pela sua garganta. Envolvendo seu corpo com seus braços, balançava-se para a frente e para trás. Seu nariz estava vermelho e escorria. O dono da banca de jornal observava a cena, com repulsa e pena pela patética criatura sentada na calçada.
Os sapatos estragaram na água da sarjeta. A televisão ficou sem controle remoto.
Misturou o ontem num copo de pinga, virou goela abaixo. Deitou-se de lado e quis dormir. Quis espatifar o mundo contra a porta, afogar a vida na sarjeta. Teve medo da vida não lhe pertencer mais.
Fora uma briga como qualquer outra, os vizinhos podiam confirmar. Só que tinha os cacos do vaso, a porta batida. Tinha coisa de menos, antes de ter coisa demais. Ela, dois quarteirões andando bem rápido pela rua, os passos firmes. As lágrimas não escorriam, seguras em seus olhos como se sua vida dependesse disto. Marejados, vermelhos, agora doíam pelo esforço de não piscar. Se piscasse, elas escorreriam. Ela não enxergava mais nada, a visão obstruída pelas lágrimas que se acumulavam. Em sua cabeça primeiro tinham xingamentos, palavrões, que depois viraram em lista de supermercado, nomes de cds. Qualquer coisa que ela pudesse sussurrar para si mesma por entre os dentes cerrados que rangiam enquanto ela descia a rua em tropeços ofegantes e desconcertados. Estava ocupada demais para prestar atenção no que pensava, tinha que andar rápido e não deixar as lágrimas escorrerem. Depois que as pernas se cansaram o suficiente para questionar o porque do esforço, depois que os olhos ardiam o suficiente para questionar o porque não das lágrimas, foi aí que ela parou, sentou no meio fio e desatinou a chorar. Um choro copioso que assustou qualquer pedestre que pensasse em ajudá-la. Era claro, estava além da ajuda de um passante inocente. Melhor cuidar da própria vida.
Aos cacos do vaso no chão juntaram-se os de dois copos, depois de um prato, depois os do controle remoto e por fim os do enfeite feio de porcelana sobre a mesinha de centro. Acabaram-se as coisas espatifáveis ao seu alcance, e então ele percebeu que jogar coisas na porta não faria ela se abrir de novo, e que ela já não estava mais escutando as coisas se espatifarem na porta. Viu que sua mão tinha sangue, e primeiro achou que tinha se cortado com algum caco. Depois viu que as feridas foram provocadas pelas suas unhas entrando na carne da sua mão, enquanto ele as fechava convulsivamente em ódio irreprimível e irracional. Nada se espatifaria satisfatoriamente a ponto de controlar sua raiva. O ódio impotente crescia, tomando forma de uma angustia irreprimível. Encolhido no sofá, ele chorava como um bebê de colo ao relento. Se sua dor fosse apenas um pouco maior, parecia, talvez ele não precisasse mais se importar com ela. Os dentes dele desfaziam-se enquanto ele esfregava sofregamente sua arcada superior contra a inferior. Os gritos eram abafados pelas almofadas do sofá nas quais sua cara se enterrava, e seus braços tremiam descontroladamente.
Ela, sem perceber, mordia os lábios e afundava seus sapatos recém-lavados na água suja que escorria pela sarjeta. As lágrimas escorriam mais rápido do que caberiam em seus pequenos olhos, e os soluços se atropelavam pela sua boca, sacudindo seu corpo esquelético em chacoalhadas repetidas. Acompanhando seu choro, uma espécie de gemido fino se esgueirava pela sua garganta. Envolvendo seu corpo com seus braços, balançava-se para a frente e para trás. Seu nariz estava vermelho e escorria. O dono da banca de jornal observava a cena, com repulsa e pena pela patética criatura sentada na calçada.
Os sapatos estragaram na água da sarjeta. A televisão ficou sem controle remoto.
Misturou o ontem num copo de pinga, virou goela abaixo. Deitou-se de lado e quis dormir. Quis espatifar o mundo contra a porta, afogar a vida na sarjeta. Teve medo da vida não lhe pertencer mais.
Assinar:
Postagens (Atom)