http://solidariedadeaohaiti.blogspot.com/?zx=bbe4a64881993a6d
http://www.youtube.com/watch?v=dS1Scrf8lHs
sexta-feira, janeiro 22, 2010
terça-feira, janeiro 19, 2010
Haiti: a heróica luta de um povo oprimido

Há muito blá, blá, blá por aí sobre o Haiti. É só ligar qualquer canal de TV, sintonizar qualquer estação de rádio para ver a farsa montada: o melodrama sensacionalista que a mídia burguesa faz sobre a tragédia de um povo. Concomitantemente, se abafa de maneira escandalosa as causas deste sofrimento pelo qual os haitianos passam hoje, montando um cenário imaginário em que se trata apenas de uma "catástrofe natural". Mas a coisa é tão gritante que mesmo nas arestas dos grandes monopólios da comunicação vemos algumas vozes que resgatam a exploração secular que se abate sobre os haitianos, como é o caso do texto de um professor e um estudante da Unicamp (militante do PSTU) que saiu na Folha.
Durante a greve da USP no ano passado tive a oportunidade de participar de uma atividade organizada pela Conlutas e pelo Comando de Greve dos trabalhadores e ouvir o relato de Didier Dominique, um militante de esquerda da Central Sindical e Popular Batay Ouvrier. Mesmo tendo sempre me posicionado ativamente contra a brutal ocupação das tropas da ONU no Haiti, foi só neste momento que tive a real dimensão do que se passa lá.
Didier falou sobre as revoltas que ocorreram no início de 2009 pelo aumento do salário mínimo (que tem o valor de US$1,70 por dia!). Falou sobre o tipo de perseguição política que sofrem os militantes de esquerda, sobre as repressões ao movimento que chegaram ao ponto das "tropas de paz" invadirem um hospital jogando bombas de gás lacrimogêneo em seu interior, assassinando um idoso e uma criança recém-nascida. Falou sobre a situação de miséria do Haiti, onde há 70% de desemprego e 90% de analfabetismo.
Hoje também vemos nas notícias sobre o terremoto as opiniões sobre a dificuldade de ajuda aos haitianos por conta da falta de estrutura do país. Pouco, contudo, se fala sobre o que gerou isso. Muito se fala sobre ditaduras sanguinárias que existiram lá; pouco se fala sobre que as financiou, quem as apoiou ativamente, quem ocupou o país militarmente diversas vezes. Muito se fala sobre supostas "tropas de paz"; pouco se
fala sobre o papel que cumprem cotidianamente, reprimindo a população, estuprando as mulheres, aterrorizando aqueles que se revoltam contra a miséria imposta.
Resgatar a história deste povo é fundamental, desde a luta por sua independência, que em 1804 conseguiu derrotar 25 mil homens das tropas de Napoleão e fundar o primeiro país independente da América Latina, a primeira república negra do mundo. A nossa solidariedade deve ser ao povo haitiano, que lutou e luta a cada dia contra aqueles mesmos que hoje aparecem de cara lavada nas televiões, internet e jornais, estendendo sua hipócrita mão para "ajudar".
Hoje o imperialismo disputa a tapa para decidir quem vai comandar o futuro do Haiti. O aeroporto está controlado pelas "humanitárias" forças militares estadunidenses que impedem o acesso de ajuda médica para priorizar o repatriamento de cidadãos de seu país. Mandam cada vez mais tropas, mas podemos ver nas poucas entrevistas com a população que não há ajuda alguma ao povo, que é obrigado a saquear as lojas destruídas (sendo violentamente reprimidos pelas "tropas de paz" por tentarem sobreviver) e tirar seus amigos e parentes dos escombros com as próprias mãos. A grande ajuda que chega, como apontou Adriana Diniz no JB, foi 4 mil vezes menor do que o dinheiro usado para salvar os capitalistas durante a crise.
Para quem quiser acompanhar mais notícias sobre o Haiti, estou postando algumas coisas interessantes no meu twitter (fepardal). Na quinta-feira realizaremos um ato no consulado haitiano, com horário ainda a determinar. Em breve divulgo com mais detalhes.
segunda-feira, janeiro 18, 2010
Livros de 2009
1- Os irmãos Karamázov (Dostoiévski)
2- Maria. Uma peça e cinco histórias (Isaac Bábel)
3- A tragédia de um povo. Revolução Russa 1891-1924 (Orlando Figes)
4- Infância (Górki)
5- Ganhando meu pão (Górki)
6- Minhas universidades (Górki)
7- No fundo (Górki)
8- O Estado e a Revolução (Lênin)
9- O programa de transição / documentos da quarta internacional (Trotsky)
10- Da Cabula (Allan da Rosa)
11- Morada (Guma e Allan da Rosa)
12- O Romantismo no Brasil (Antonio Candido)
13- Lutadoras (Andrea D'Atri e Diana Assunção orgs.)
14- Pedagogia do oprimido (Paulo Freire)
15- Letramento literário (Rildo Cosson)
16- O Cortiço (Aluisio Azevedo)
17- Um segredo no céu da boca (vários autores da Cooperifa)
18- Iracema (José de Alencar)
19- Germinal (Émile Zola)
20- Palestina: uma nação ocupada (Joe Sacco)
21- Palestina: na faixa de gaza (Joe Sacco)
22- Pyongyang (Guy Delisle)
23- Memórias do cárcere (Graciliano Ramos)
24- A terra dos meninos pelados (Graciliano Ramos)
25- A mulher de trinta anos (Honoré de Balzac)
26- Diário do exílio (Trotsky)
27- A revolução traída (Trotsky)
28- Marxism and Literary criticism (Terry Eagleton)
29- México rebelde: A comuna de Oaxaca (Gilson Dantas)
30- Escritos latinoamericanos (Trotsky)
31- A mão e a luva (Machado de Assis)
32 - Crônicas escolhidas (Machado de Assis)
33 - Valéria (Milo Manara)
34 - O clic (Milo Manara)
35 - O Grito do Povo (Vautrin/ Tardi)
36 - Filhos da pátria (João Melo)
37 - Persépolis (Marjane Satrapi)
38 - A história da revolução russa vol. 1 (Trotsky)
2- Maria. Uma peça e cinco histórias (Isaac Bábel)
3- A tragédia de um povo. Revolução Russa 1891-1924 (Orlando Figes)
4- Infância (Górki)
5- Ganhando meu pão (Górki)
6- Minhas universidades (Górki)
7- No fundo (Górki)
8- O Estado e a Revolução (Lênin)
9- O programa de transição / documentos da quarta internacional (Trotsky)
10- Da Cabula (Allan da Rosa)
11- Morada (Guma e Allan da Rosa)
12- O Romantismo no Brasil (Antonio Candido)
13- Lutadoras (Andrea D'Atri e Diana Assunção orgs.)
14- Pedagogia do oprimido (Paulo Freire)
15- Letramento literário (Rildo Cosson)
16- O Cortiço (Aluisio Azevedo)
17- Um segredo no céu da boca (vários autores da Cooperifa)
18- Iracema (José de Alencar)
19- Germinal (Émile Zola)
20- Palestina: uma nação ocupada (Joe Sacco)
21- Palestina: na faixa de gaza (Joe Sacco)
22- Pyongyang (Guy Delisle)
23- Memórias do cárcere (Graciliano Ramos)
24- A terra dos meninos pelados (Graciliano Ramos)
25- A mulher de trinta anos (Honoré de Balzac)
26- Diário do exílio (Trotsky)
27- A revolução traída (Trotsky)
28- Marxism and Literary criticism (Terry Eagleton)
29- México rebelde: A comuna de Oaxaca (Gilson Dantas)
30- Escritos latinoamericanos (Trotsky)
31- A mão e a luva (Machado de Assis)
32 - Crônicas escolhidas (Machado de Assis)
33 - Valéria (Milo Manara)
34 - O clic (Milo Manara)
35 - O Grito do Povo (Vautrin/ Tardi)
36 - Filhos da pátria (João Melo)
37 - Persépolis (Marjane Satrapi)
38 - A história da revolução russa vol. 1 (Trotsky)
segunda-feira, novembro 09, 2009
Quem não tem cão...
Às vezes o dia amanhece de tarde, com aquele sol alto das duas horas já cansado de tanto tostar as pessoas e querendo ir se esconder. O dia já quer virar noite, e eu só queria ser capaz de dormir pra sempre.
Ora, que se dane! Que se dane mil vezes!
Você que me interroga com esta cara de quem não quer fazer nada!
A vida que me interroga com a podridão que oferece nos jornais, nas esquinas, nas bocas de quem eu encontro pela frente. Já me levantei, fazer o que? É necessário mastigar a nós mesmos, mastigar, mastigar, mastigar e, por fim mas nunca menos importante, é necessário engolirmos a nós mesmos.
Farei a digestão de meus pequeninos sentimentos apodrecidos acompanhada de um cálice de vodka.
Ora, que se dane! Que se dane mil vezes!
Você que me interroga com esta cara de quem não quer fazer nada!
A vida que me interroga com a podridão que oferece nos jornais, nas esquinas, nas bocas de quem eu encontro pela frente. Já me levantei, fazer o que? É necessário mastigar a nós mesmos, mastigar, mastigar, mastigar e, por fim mas nunca menos importante, é necessário engolirmos a nós mesmos.
Farei a digestão de meus pequeninos sentimentos apodrecidos acompanhada de um cálice de vodka.
domingo, fevereiro 22, 2009
Literatura sob a ótica marxista
Pois já demorou pra que eu me dê esta tarefa, e eu enrolei tanto justamente porque ela é assustadoramente difícil. Mas então agora vou me enterrar em livros e pesquisas pra tentar pensar uma série de questões sobre a literatura.
Pra começar, estou lendo "A formação da literatura brasileira", do Antonio Cândido.
Pra começar, estou lendo "A formação da literatura brasileira", do Antonio Cândido.
domingo, fevereiro 15, 2009
Passa Palavra
E daí tem alguns amigos participando de um coletivo de notícias sobre movimentos populares e sociais. Tá adicionado ali nos links e, pra não ter erro, tá aqui:
http://passapalavra.info
Ainda é cedo pra fazer algum comentário acerca da minha opinião, mas logo mais eu dou meu parecer.
http://passapalavra.info
Ainda é cedo pra fazer algum comentário acerca da minha opinião, mas logo mais eu dou meu parecer.
sexta-feira, fevereiro 06, 2009
Cornelius Castoriadis
Então eu vou começar a ler um livro chamado "A instituição imaginária da sociedade" que o Ciola (provavelmente o único leitor deste blog hahaha!) me emprestou. O autor é Cornelius Castoriadis, de quem eu nunca havia ouvido falar na vida. Então, pensei, é melhor eu ter alguma remota idéia de quem está falando comigo antes de ler. E fui maior fonte de conhecimento rápido e superficial do mundo, o Google. E eis que encontrei um sumário sucinto de uma opinião pessoal de um "castoridiano" (ou castorista, se preferirem) sobre o sentido da elaboração de teórico deste filósofo grego.
está aqui ó: Web Site Cornelius Castoriadis/Brasil
Isto é bom porque me dá também uma idéia de quem são os leitores e divulgadores de sua obra. E é possível que já me dê uma idéia do que vou encontrar no livro.
está aqui ó: Web Site Cornelius Castoriadis/Brasil
Isto é bom porque me dá também uma idéia de quem são os leitores e divulgadores de sua obra. E é possível que já me dê uma idéia do que vou encontrar no livro.
Favela sitiada

São quatrocentos policiais, cem viaturas, vinte cavalos, quatro cães e um helicóptero que mantém a “Lei e a Ordem” hoje na favela de Paraisópolis. Não bastasse o cotidiano de exploração e miséria a que estão submetidos os oitenta mil habitantes, hoje eles vivem submetidos ao terrorismo constante dos “homens da lei”. É esta a “Operação Saturação”, um destes momentos em que a face mais verdadeira e crua da nossa sociedade vem à tona. Basta de qualquer verniz democrático, é hora de mostrar até que ponto o Estado está disposto a manter os pobres em seu lugar à força de armas. Só quem mora lá sabe o que é viver nesta situação. E a nós, chegam somente alguns respingos de informação:
Moradores da Favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, acusam cinco agentes da Companhia de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar de terem mantido ontem dois adolescentes em cárcere privado e de agredi-los dentro da casa de um deles.
Polícia revista moradores nas entradas de Paraisópolis
Cinco membros da comunidade foram ontem à ouvidoria das polícias para reclamar de excessos na abordagem policial.
"Nossa preocupação é que tem muita polícia dentro da comunidade. Se foi necessário, foi no primeiro dia. Há alguns excessos na abordagem. Eu presenciei um policial gritando e xingando um cidadão que estava sendo revistado, de mãos na parede", afirma o radialista José Lopes, de 56 anos.
O padre Luciano Borges Basílio, da Paróquia São José, localizada na favela, também reclamou da truculência da Polícia Militar. O religioso disse que, mesmo usando roupa eclesiástica, foi maltratado ontem de manhã em abordagem dos homens do Regimento da Cavalaria.
Espumante, a raivosa “opinião pública” da burguesia clama por “justiça”, e a imprensa mostra o sofrimentos dos pobres vizinhos de Paraisópolis:
Vizinho de Paraisópolis, Morumbi vive dia de medo
Olhem os comentários
Pois é. Tudo em nome do "bem-estar social". Eu fico imaginando o tipo de coisa que está acontecendo lá e que não é divulgado.
terça-feira, fevereiro 03, 2009
Oba! Socialismo em dias de festa: Reunião anticapitalista no maior evento neohippie do mundo!
'Terminamos o FSM com uma vitória do socialismo e da revolução, com novas inspirações, renovados na busca de outro mundo socialista', afirmou Pedro Fuentes, Scretário de Relações Internacionais do PSOL.
Ah, fala sério! Vamos lá, pessoal, vocês acham mesmo que é assim que se luta contra o capitalismo? A história realmente não tem absolutamente NADA a ensinar para vocês? Ou será que é pura hipocrisia? (As perguntas não são retóricas, se alguém souber ou quiser tentar respondê-las, estou aguardando ansiosamente.)
Sobre Górki
Estou lendo agora a trilogia autobiográfica do Górki.
Terminei o "Infância", em que ele fala sobre suas primeiras lembranças, começando com a morte do pai e a mudança com sua mãe para a casa dos avós. Neste ponto de partida é maravilhoso o modo como Górki já descarta a possibilidade de uma autobiografia enciclopédica com enumeração e listagem de fatos, memórias, e muito blá blá blá digno das páginas da revista "Cult" ou outras publicaçõs tipo "Revista caras para burgueses metidos a intelectual", tal como, infelizmente, a Biografia recém-lançada a respeito de Maiakóvski ("Maiakovski: O poeta da Revolução", Aleksandr Mikhailov, Record, 2008). Ele começa com o ponto de vista próprio da memória infantil, e suas lembranças principiam subitamente no momento fundamental da morte de seu pai.
A partir daí, delinea-se o retrato da sua infância de miséria na família cada vez mais pobre de seu avô, onde os filhos homens disputam tapa a tapa qualquer herança que puderem conseguir de seu pai (incluindo o dote da irmã). A mesquinharia não fica na geração mais recente, e mostra suas raízes mais profundas na figura do avô. A violência absurda de uma sociedade patriarcal, conservadora, e machista, fruto da vida de obscurantismo e opressão a que os personagens estão submetidos cotidianamente, é retratada por Górki de maneira não apenas precisa, mas com o verdadeiro talento de um grande escritor (Górki, sendo quase unanimemente considerado pela crítica como um escritor de altos e baixos, também quase unanimemente tem a sua trilogia apontada como uma de suas melhores criações). Contraditoriamente, são os primeiros choques da criança com este mundo brutal que irão moldar a sua personalidade extremamente sensível, aliada à revolta contra a opressão, traços que fundamentarão a produção literária e a militância socialista que estão na base da vida de Górki. O absoluto horror a certas experiências, por vezes, deixa entrever no olhar da criança os olhos de um homem já maduro, que vê a sua vida infantil com os olhos de um adulto dotado de extrema sensibilidade e já inconformado com a miséria do nascente (porém ainda mais arcaico do que em sua contraparte Européia) capitalismo russo.
São estas passagens, que aliam a vida de miséria da criança e de seu meio com a sensibilidade e a indignação do escritor socialista, que conferem ao livro o seu sentido último. Tal ocorre, por exemplo, quando, ao retornar de um verão no qual trabalhara e viajara como lavador de pratos em um barco e caçador de pássaros, o jovem Aliekséi (Górki), retorna à casa dos antigos patrões:
"Parecia-me que, no decorrer daquele verão, eu vivera uma experiência tremendamente rica, envelhecera e ficara mais inteligente enquanto, na casa dos patrões, no mesmo período, o enfado se adensara ainda mais. Eles adoecem com a mesma frequência, desarranjando os intestinos com a comida farta, contam uns aos outros, com as mesmas minúcias, o evoluir das suas doenças, a velha [mãe de seu patrão e irmã de sua avó] reza a Deus de maneira terrível e rancorosa, como sempre."
Bom, há muito ainda que eu poderia falar sobre os romances, mas ainda nem terminei de lê-los. Vou seguir o método Ciola de tentar falar para os outros para ver se escuto de novo e dizer aqui que pensei diversas vezes como valeria a pena fazer um estudo comparativo entre o "Infância" do Górki e o "Infância" do Graciliano Ramos. Mas aí eu fico pensando se vale a pena e para que eu faria isto e começo a me questionar sobre a validade da crítica literária no mundo em que vivo e blá blá blá até que a perspectiva do tal estudo some completamente.
Ciola: vou consertar o "afundar", senhor piadista, mas não vou remunerar seu serviço barato de revisão de texto. Quanto ao livro, foi mal, eu li pra caralho nestas férias e acabei deixando justo ele de canto. Mas você pode compreender né? Há tanta coisa que eu preciso ler, e um cara com o qual eu já não tenho tanto acordo logo de cara é pouco tentador. Entretanto, acho importante ler os teóricos que discordo (visando principalmente os objetivos expressos há uns dois posts atrás) e já te prometo de antemão (sua tática, novamente) que vou ler e escrever algo a respeito dele.
Terminei o "Infância", em que ele fala sobre suas primeiras lembranças, começando com a morte do pai e a mudança com sua mãe para a casa dos avós. Neste ponto de partida é maravilhoso o modo como Górki já descarta a possibilidade de uma autobiografia enciclopédica com enumeração e listagem de fatos, memórias, e muito blá blá blá digno das páginas da revista "Cult" ou outras publicaçõs tipo "Revista caras para burgueses metidos a intelectual", tal como, infelizmente, a Biografia recém-lançada a respeito de Maiakóvski ("Maiakovski: O poeta da Revolução", Aleksandr Mikhailov, Record, 2008). Ele começa com o ponto de vista próprio da memória infantil, e suas lembranças principiam subitamente no momento fundamental da morte de seu pai.
A partir daí, delinea-se o retrato da sua infância de miséria na família cada vez mais pobre de seu avô, onde os filhos homens disputam tapa a tapa qualquer herança que puderem conseguir de seu pai (incluindo o dote da irmã). A mesquinharia não fica na geração mais recente, e mostra suas raízes mais profundas na figura do avô. A violência absurda de uma sociedade patriarcal, conservadora, e machista, fruto da vida de obscurantismo e opressão a que os personagens estão submetidos cotidianamente, é retratada por Górki de maneira não apenas precisa, mas com o verdadeiro talento de um grande escritor (Górki, sendo quase unanimemente considerado pela crítica como um escritor de altos e baixos, também quase unanimemente tem a sua trilogia apontada como uma de suas melhores criações). Contraditoriamente, são os primeiros choques da criança com este mundo brutal que irão moldar a sua personalidade extremamente sensível, aliada à revolta contra a opressão, traços que fundamentarão a produção literária e a militância socialista que estão na base da vida de Górki. O absoluto horror a certas experiências, por vezes, deixa entrever no olhar da criança os olhos de um homem já maduro, que vê a sua vida infantil com os olhos de um adulto dotado de extrema sensibilidade e já inconformado com a miséria do nascente (porém ainda mais arcaico do que em sua contraparte Européia) capitalismo russo.
São estas passagens, que aliam a vida de miséria da criança e de seu meio com a sensibilidade e a indignação do escritor socialista, que conferem ao livro o seu sentido último. Tal ocorre, por exemplo, quando, ao retornar de um verão no qual trabalhara e viajara como lavador de pratos em um barco e caçador de pássaros, o jovem Aliekséi (Górki), retorna à casa dos antigos patrões:
"Parecia-me que, no decorrer daquele verão, eu vivera uma experiência tremendamente rica, envelhecera e ficara mais inteligente enquanto, na casa dos patrões, no mesmo período, o enfado se adensara ainda mais. Eles adoecem com a mesma frequência, desarranjando os intestinos com a comida farta, contam uns aos outros, com as mesmas minúcias, o evoluir das suas doenças, a velha [mãe de seu patrão e irmã de sua avó] reza a Deus de maneira terrível e rancorosa, como sempre."
Bom, há muito ainda que eu poderia falar sobre os romances, mas ainda nem terminei de lê-los. Vou seguir o método Ciola de tentar falar para os outros para ver se escuto de novo e dizer aqui que pensei diversas vezes como valeria a pena fazer um estudo comparativo entre o "Infância" do Górki e o "Infância" do Graciliano Ramos. Mas aí eu fico pensando se vale a pena e para que eu faria isto e começo a me questionar sobre a validade da crítica literária no mundo em que vivo e blá blá blá até que a perspectiva do tal estudo some completamente.
Ciola: vou consertar o "afundar", senhor piadista, mas não vou remunerar seu serviço barato de revisão de texto. Quanto ao livro, foi mal, eu li pra caralho nestas férias e acabei deixando justo ele de canto. Mas você pode compreender né? Há tanta coisa que eu preciso ler, e um cara com o qual eu já não tenho tanto acordo logo de cara é pouco tentador. Entretanto, acho importante ler os teóricos que discordo (visando principalmente os objetivos expressos há uns dois posts atrás) e já te prometo de antemão (sua tática, novamente) que vou ler e escrever algo a respeito dele.
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
Engatinhando, engatilhando...
Mais fácil falar do que fazer...
Não sei o que me ocorre, ando com um bloqueio para realizar certas tarefas. De qualquer forma, posto aqui a minha intenção com o intuito de criar alguma pressão sobre mim e, assim, quem sabe, conseguir parir o rebento.
É o seguinte: após finalmente concluir a leitura do livro de Orlando Figes sobre a Revolução Russa, e estou querendo escrever uma breve resenha sobre ele. Talvez seja o fato de que não me preparei adequadamente para esta intuito enquanto lia o livro, ou talvez seja só um pouco de receio por tentar defender uma visão bastante diferente das muitíssimo bem fundamentadas mil páginas do livro, mas o fato é que o negócio ainda não foi pra frente. Acho que preciso entender que, não importa o que eu escreva agora, vai ser só um tipo de rascunho com primeiras impressões.
Não sei o que me ocorre, ando com um bloqueio para realizar certas tarefas. De qualquer forma, posto aqui a minha intenção com o intuito de criar alguma pressão sobre mim e, assim, quem sabe, conseguir parir o rebento.
É o seguinte: após finalmente concluir a leitura do livro de Orlando Figes sobre a Revolução Russa, e estou querendo escrever uma breve resenha sobre ele. Talvez seja o fato de que não me preparei adequadamente para esta intuito enquanto lia o livro, ou talvez seja só um pouco de receio por tentar defender uma visão bastante diferente das muitíssimo bem fundamentadas mil páginas do livro, mas o fato é que o negócio ainda não foi pra frente. Acho que preciso entender que, não importa o que eu escreva agora, vai ser só um tipo de rascunho com primeiras impressões.
terça-feira, janeiro 27, 2009
Não há prática revolucionária, sem teoria revolucionária
A conhecida citação de Lênin diz tudo, e qualquer um que se pretenda um militante revolucionário minimamente consequente há de concordar com isto, seja ou não partidário do Leninismo. Para nós, vivendo em uma época em que o legado de tradições das lutas do movimento operário e socialista remonta mais de dois séculos, e em que a ideologia triunfante burguesa (e até mesmo muitos que se autodenominam como "de esquerda") alardeou o fim da União Soviética como a vitória final do capitalismo, a tarefa de estudar e resgatar esta história a fim de aprender suas lições é tão difícil quanto necessária.
Por experiência própria sei que é prática comum entre a militância de esquerda (talvez no Brasil em especial) fazer tabula rasa da vastíssima experiência de lutas dos trabalhadores, descartando absolutamente tudo o que veio antes como inútil sem ao menos se dar ao trabalho de conhecer isto que se joga fora. É uma tentativa inútil, desesperada e leviana de criar algo como um foguete espacial sem querer saber ao menos como se faz um motor de combustão. É impressionante, no entanto, como um modo de agir tão estúpido vigora com tanto fervor entre a esquerda. Eu mesmo, por exemplo, demorei anos até me dar conta de que tomava tal atitude.
Entretanto, a postura mais perniciosa diante da teoria revolucionária e da história da luta pelo socialismo leva esta cretinice adiante, pois, além de ignorar flagrantemente a história, acredita que sabe dela tudo o que é necessário, transformando análises absolutamente superficiais em dogmas dignos de serem seguidos às últimas consequências.
A história está repleta de nomes que dedicaram longas vidas inteiramente à causa revolucionária, e que morreram sem aprender uma ínfima parte do que desejavam. Em geral, sua luta levou a sua morte prematura. Está repleta também de erros e acertos das lutas pregressas, cujo simples estudo poderia ajudar enormemente a nos prepararmos para as lutas vindouras. Poucos são os revolucionários dignos de respeito que, ao longo de sua vida, não mudaram posturas e reviram pontos fundamentais de sua prática pautados em elaborações teóricas que foram frutos de um confrontamento cotidiano de suas concepções diante da realidade concreta. Muitas vezes, aqueles que se vangloriam de peito estufado de uma pretensa "coerência teórica" são os mais obtusos militantes. Alguns dos textos mais brilhantes da história da teoria socialista são os textos de polêmicas, em que os revolucionários se debruçavam exaustivamente sobre concepções alheias, esforçando-se para demonstrar porque e em que estas estavam equivocadas.
Já passa da hora de retomarmos seriamente estas tradições, de realmente pensarmos criticamente nossas práticas, pois sem isso estamos fadados ao fracasso e a mediocridade. Estes já são um terrível peso sobre as costas de um indivíduo. São muito piores quando temos a responsabilidade de fundarmos um projeto coletivo, que pretende ser uma luta pela emancipação de toda a humanidade, junto com nossos próprios erros.
Por experiência própria sei que é prática comum entre a militância de esquerda (talvez no Brasil em especial) fazer tabula rasa da vastíssima experiência de lutas dos trabalhadores, descartando absolutamente tudo o que veio antes como inútil sem ao menos se dar ao trabalho de conhecer isto que se joga fora. É uma tentativa inútil, desesperada e leviana de criar algo como um foguete espacial sem querer saber ao menos como se faz um motor de combustão. É impressionante, no entanto, como um modo de agir tão estúpido vigora com tanto fervor entre a esquerda. Eu mesmo, por exemplo, demorei anos até me dar conta de que tomava tal atitude.
Entretanto, a postura mais perniciosa diante da teoria revolucionária e da história da luta pelo socialismo leva esta cretinice adiante, pois, além de ignorar flagrantemente a história, acredita que sabe dela tudo o que é necessário, transformando análises absolutamente superficiais em dogmas dignos de serem seguidos às últimas consequências.
A história está repleta de nomes que dedicaram longas vidas inteiramente à causa revolucionária, e que morreram sem aprender uma ínfima parte do que desejavam. Em geral, sua luta levou a sua morte prematura. Está repleta também de erros e acertos das lutas pregressas, cujo simples estudo poderia ajudar enormemente a nos prepararmos para as lutas vindouras. Poucos são os revolucionários dignos de respeito que, ao longo de sua vida, não mudaram posturas e reviram pontos fundamentais de sua prática pautados em elaborações teóricas que foram frutos de um confrontamento cotidiano de suas concepções diante da realidade concreta. Muitas vezes, aqueles que se vangloriam de peito estufado de uma pretensa "coerência teórica" são os mais obtusos militantes. Alguns dos textos mais brilhantes da história da teoria socialista são os textos de polêmicas, em que os revolucionários se debruçavam exaustivamente sobre concepções alheias, esforçando-se para demonstrar porque e em que estas estavam equivocadas.
Já passa da hora de retomarmos seriamente estas tradições, de realmente pensarmos criticamente nossas práticas, pois sem isso estamos fadados ao fracasso e a mediocridade. Estes já são um terrível peso sobre as costas de um indivíduo. São muito piores quando temos a responsabilidade de fundarmos um projeto coletivo, que pretende ser uma luta pela emancipação de toda a humanidade, junto com nossos próprios erros.
segunda-feira, janeiro 26, 2009
Acho que não sei mais fazer este negócio de blog, tem ares de coisa muito estúpida pra que eu consiga fazer algo bom dele.
Ando tentando ler 5000 páginas antes de voltar às aulas, pra ver se consigo pelo menos aproveitar as férias.
Quem passar aqui, deixe o link de seu respectivo site pq perdi todos quando fui mudar o lay-out do meu.
Ando tentando ler 5000 páginas antes de voltar às aulas, pra ver se consigo pelo menos aproveitar as férias.
Quem passar aqui, deixe o link de seu respectivo site pq perdi todos quando fui mudar o lay-out do meu.
segunda-feira, dezembro 08, 2008
Acho que vou ter que retornar aos tempos da máquina de escrever. O Word não aceita minha tentativa de escrever várias palavras juntas sem espaço. Tentei em três computadores diferentes, e ele SEMPRE dá pau. Vou ver se o BrOffice é menos cretino. Como pode um programa que é desenvolvido há tanto tempo por uma megacorporação multimilionária ser tão absolutamente tosco?
quarta-feira, novembro 05, 2008
segunda-feira, outubro 13, 2008
Passei por aqui só pra falar bobagens, ando sufocado pelo dia-a-dia (e quem não anda?)
Estou com medo de não conseguir saber me motivar para nada corretamente. Eu acho que até poderia ser uma pessoa melhor, apesar de incontáveis erros e besteiras, se tivesse o mínimo de determinação para as coisas. Pela primeira vez estou me convencendo de verdade de que tenho um desvio depressivo patológico. Quando permaneço um período de tempo, ainda que curto, sem tomar remédios, sinto-me pior. Mas sinto-me pior do que me sentia antes de tomá-los. E me assombra a dúvida: será que me sinto pior mesmo, ou que nunca havia percebido como me sentia mal? As dores de cabeça voltaram (as literais, pois as outras nunca me abandonaram).
Desculpem-me os poucos leitores destas linhas bestas. Andei reparando que quase não há tradução de Maiakóvski para o português. Será que eu deveria me arriscar nestes caminhos? O mundo é tão vasto, e eu, tão pequeno.
Afinal, onde estão meus laços? E como estão vocês?
Estou com medo de não conseguir saber me motivar para nada corretamente. Eu acho que até poderia ser uma pessoa melhor, apesar de incontáveis erros e besteiras, se tivesse o mínimo de determinação para as coisas. Pela primeira vez estou me convencendo de verdade de que tenho um desvio depressivo patológico. Quando permaneço um período de tempo, ainda que curto, sem tomar remédios, sinto-me pior. Mas sinto-me pior do que me sentia antes de tomá-los. E me assombra a dúvida: será que me sinto pior mesmo, ou que nunca havia percebido como me sentia mal? As dores de cabeça voltaram (as literais, pois as outras nunca me abandonaram).
Desculpem-me os poucos leitores destas linhas bestas. Andei reparando que quase não há tradução de Maiakóvski para o português. Será que eu deveria me arriscar nestes caminhos? O mundo é tão vasto, e eu, tão pequeno.
Afinal, onde estão meus laços? E como estão vocês?
sexta-feira, setembro 19, 2008
sexta-feira, setembro 05, 2008
Transformar nossas vidas em uma parte de um coletivo não é tarefa fácil. Nossas rotinas e a inescapável missão de sobreviver neste mundo nos forçam constantemente a segmentarmos completamente tudo aquilo a que aspiramos e tudo o que produzimos. Mergulhamos em nossos empregos, em nossos estudos, em nossos relacionamentos (por si só já fracionados e determinados, com hora certa para serem vividos), em nossos medos e nossas esperanças.
Começo a perceber drasticamente que este sentimento que nos é imposto a cada momento que é o que mais me assusta e desanima, mais consegue me vencer nesta luta cotidiana. O medo de uma solidão que é muito maior do que simplesmente estar sozinho. É o medo de uma solidão existencial, uma solidão de viver uma vida que não converge para nada, exceto para a inevitável percepção de como podemos ser vazios se estamos isolados. É exatamente assim que, creio eu, surge aquela terrível solidão em meio à multidão. A falta de nos percebermos como parte de um mundo e a crença tola de que somos excepcionalmente singulares e aboslutamente incompreensíveis para aqueles que nos vêem pelo "lado de fora".
Para mim esta solidão, e é preciso convencer-me disto a cada dia, é o fruto da ideologia em que estamos imersos. E é uma evolução natural, cunhada em séculos de nossa cultura. Provavelmente o grosso de seu germe é aquilo que descende do Romantismo, das idéias de gênio solitário, da expressão da subjetividade e, enfim, de toda esta concepção artística que deriva diretamente da consolidação da burguesia como classe dominante. E assim, isolados, vivemos nossas vidas.
Apeguei-me, durante todo o tempo, àquilo que meu desespero me conduziu na tentativa de escapar desta sensação de isolamento completo. Amigos, namoradas, família. Sentir-me próximo de pessoas. E agora percebo o quanto também destes refúgios é tragado cada dia mais pela simples rotina, que teima por jogar-nos em projetos de vida individuais, voltados para sabe-se lá o que. Estes refúgios são necessários, mas nunca serão suficientes se não olharmos mais adiante.
Superar a solidão individualista é algo que não se faz sozinho, e muito menos pode ser um processo completo dentro de nosso mundo. Mas sem dúvida faz parte de uma tarefa tão cotidiana quanto fundamental. Acreditar na revolução não me basta. E hoje, para mim, a tarefa de transformar minhas crenças em dia-a-dia está intimamente associada a romper a barreira da solidão. A crise de subjetividade que nos assola somente será rompida no momento em que conseguirmos também transformar nosso cotidiano com o estabelecimento sólido de vínculos de solidariedade com aqueles que o mundo teima em afastar de nós.
Tudo isto é fruto de uma prisão e uma mentira, que temos que destruir. Quanto àqueles que deveriam estar ao meu lado mas querem me enxergar como um inimigo, posso apenas espera-los de mão aberta, até o momento em que percebam que o nosso inimigo é comum, e que para vencê-lo é necessário que ataquemos juntos.
Começo a perceber drasticamente que este sentimento que nos é imposto a cada momento que é o que mais me assusta e desanima, mais consegue me vencer nesta luta cotidiana. O medo de uma solidão que é muito maior do que simplesmente estar sozinho. É o medo de uma solidão existencial, uma solidão de viver uma vida que não converge para nada, exceto para a inevitável percepção de como podemos ser vazios se estamos isolados. É exatamente assim que, creio eu, surge aquela terrível solidão em meio à multidão. A falta de nos percebermos como parte de um mundo e a crença tola de que somos excepcionalmente singulares e aboslutamente incompreensíveis para aqueles que nos vêem pelo "lado de fora".
Para mim esta solidão, e é preciso convencer-me disto a cada dia, é o fruto da ideologia em que estamos imersos. E é uma evolução natural, cunhada em séculos de nossa cultura. Provavelmente o grosso de seu germe é aquilo que descende do Romantismo, das idéias de gênio solitário, da expressão da subjetividade e, enfim, de toda esta concepção artística que deriva diretamente da consolidação da burguesia como classe dominante. E assim, isolados, vivemos nossas vidas.
Apeguei-me, durante todo o tempo, àquilo que meu desespero me conduziu na tentativa de escapar desta sensação de isolamento completo. Amigos, namoradas, família. Sentir-me próximo de pessoas. E agora percebo o quanto também destes refúgios é tragado cada dia mais pela simples rotina, que teima por jogar-nos em projetos de vida individuais, voltados para sabe-se lá o que. Estes refúgios são necessários, mas nunca serão suficientes se não olharmos mais adiante.
Superar a solidão individualista é algo que não se faz sozinho, e muito menos pode ser um processo completo dentro de nosso mundo. Mas sem dúvida faz parte de uma tarefa tão cotidiana quanto fundamental. Acreditar na revolução não me basta. E hoje, para mim, a tarefa de transformar minhas crenças em dia-a-dia está intimamente associada a romper a barreira da solidão. A crise de subjetividade que nos assola somente será rompida no momento em que conseguirmos também transformar nosso cotidiano com o estabelecimento sólido de vínculos de solidariedade com aqueles que o mundo teima em afastar de nós.
Tudo isto é fruto de uma prisão e uma mentira, que temos que destruir. Quanto àqueles que deveriam estar ao meu lado mas querem me enxergar como um inimigo, posso apenas espera-los de mão aberta, até o momento em que percebam que o nosso inimigo é comum, e que para vencê-lo é necessário que ataquemos juntos.
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